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A Arte de se fazer desnecessária

A arte de se fazer desnecessária é uma tarefa que nos desafia a cada momento, e que tem o propósito de ativar em nós a sabedoria do desapego e da impermanência


 

Pesquisas alegam que as mulheres executivas estão cada vez mais indisponíveis à maternidade, sendo a falta de tempo para se dedicar aos filhos o motivo número um.

Será mesmo esse o real motivo pelo qual as mulheres estão desistindo dessa tarefa?

No meu tempo não havia escolha, somente um desejo enorme de ser mãe.

Aprendi que Ser Mãe é padecer no paraíso! Uma Delícia!

No enxoval, caixas e mais caixas de fraldas com o rostinho de um lindo bebê dormindo!

O bebê nasceu e meu mundo caiu! Uau!

Não guardava mais o peito, não sabia se era dia ou noite e dentro de mim gritava: Para o bonde que eu quero descer!

Fizeram propaganda enganosa dizendo que era o paraíso, mas na verdade foi infernal perceber que a minha vida, meus projetos e sossego escaparam das minhas mãos.

Na medida em que o tempo passava e uma nova ordem ia sendo forçosamente criada, percebi duas mulheres vivendo em mim:- a mãe - 90%%, e a minha pessoa (esposa, psicóloga, amiga) — 10%.

É assim, irracional e agora está feito!

E foi nesse momento que meu coração foi rasgado e sem pedir licença, entrou nele aquele bebê com tudo o mais: as noites mal dormidas, os cuidados, as preocupações.

E nesse momento nasceu o "amor de Mãe”.

É assim, irracional. Está feito! 

É instintivo cuidar. 

É instintivo AMAR!

Descobri que ser mãe é a arte de se fazer desnecessária e que vale a pena.

O que não vale é a Culpa que sentimos por ter que diminuir a porcentagem de 90% - ser mãe para 10%%, e aumentar - a minha pessoa - de 10% para 90%.

A Culpa remove o amor do coração, e nos castigamos na medida em que a cultivamos. 

Seu sabor é amargo.

A culpa é  inútil.

Inútil porque não serve para nada.

Inútil porque nem uma tonelada de culpa é capaz de destruir o passado e nem mesmo duas toneladas de culpa são capazes de construir um futuro melhor.

A Culpa não serve para nada, a não ser para nos manter paralisadas no presente.

Então podemos deixá-la partir, deslizando como um barco no oceano.

A arte de se fazer desnecessária é uma tarefa que nos desafia a cada momento, e que tem o propósito de ativar em nós a sabedoria do desapego e da impermanência. 

Vale a pena a aventura de ser Mãe.

É indescritível!

Hoje celebro meu sucesso.

Tornei-me desnecessária e por isso mesmo amada.

O amor é o que fica quando não há expectativas.

O amor é o que liga quando não há dependências.

O amor é o que vive quando partimos.

Aos meus filhos Matheus e Mariana, a minha Gratidão pela oportunidade que me deram de experimentar essa lição!

Acesse:  http://portalanahata.com.br

Rita de Cássia Rocha Coelho

Psicóloga e Psicoterapeuta. Acesse http://portalanahata.com.br.