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"A bola é minha"

Está cada vez mais complicado criar um elo entre parceiros, equipes e fornecedores


 

Em plena era digital, que permite compartilhar a vida 24 horas por dia, tenho observado algo que me deixa intrigada. Enquanto essa exposição diária da vida humana não tem fim, a palavra compartilhar deixou de existir na vida real. Parece que as pessoas usam o lema  “a bola é minha, só eu brinco”, pois está cada vez mais complicado criar um elo entre parceiros, equipes e fornecedores para que todos busquem soluções que beneficiem a todos, igualmente.

Todos estão tão preocupados com suas respectivas vidas e planos, que o bem comum deixou de existir. Se a pessoa só carimba, por que ela vai grampear as folhas, não é mesmo? Sinto essa energia no ar em todos os lugares e fico preocupada. Como serão os próximos anos? Não haverá mais ajuda mútua? É cada um por si?

E o espírito de liderança? Ser líder não é apenas ficar sentado no topo, dando ordens descabidas, só olhando para o umbigo. É conhecer o real significado da palavra empatia, que consiste em se colocar no papel do outro; é respeitar o ser humano e entender que, por trás de tanta tecnologia, existem pessoas e elas são as verdadeiras peças do jogo.

Tenho visto líderes que só lideram a si mesmos, polindo diariamente seus egos que, de tão brilhantes, cegam quem está em volta. Querem tanto se promover e  mostrar resultados a qualquer custo, que se esquecem de pensar nos colegas à sua volta e buscar soluções e melhorias para a empresa.

E não precisa ser necessariamente um líder; qualquer pessoa que faça parte de uma organização deveria ter a consciência de que precisamos uns dos outros; pode não ser imediatamente, mas em algum momento, isso inevitavelmente acontecerá.

Mas o fato é que não importa se são colaboradores ou empreendedores os personagens. Esse egoísmo crescente me assusta. Os fatos mais absurdos da história mundial foram (e ainda são) resultados de pensamentos de líderes que só pensaram em suas necessidades. Resultados? Guerras, revoluções descabidas, mortes de inocentes e falência de culturas e economias importantes. Triste demais.

Quando pegar a bola só para si, lembre-se de que o mundo é redondo também. Ninguém está sozinho e o sucesso só vem para os que sabem jogar em equipe. Pode parecer um enorme clichê, mas é uma realidade comprovada pela história. Seres humanos que se tornaram exemplos de bondade e superação foram, justamente, os que dividiram a bola, sem o objetivo desesperador de ganhar, mas sim de fazer um bom jogo. Assim, a vitória tem um sabor muito mais prazeroso. 

Ana Claudia Proença

Jornalista e empreendedora na área de comunicação e marketing