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A luta de gênero da Chanel

A mulher Chanel de Karl Lagerfeld é cada vez mais urbana e comum.




A mulher Chanel de Karl Lagerfeld é cada vez mais urbana e comum. Ela se exercita, vai ao supermercado e luta pelos seus direitos. Pode ser confundida facilmente comigo ou contigo nas ruas. Pelo menos esse é o pensamento que tive logo após conferir as fotos e vídeos do desfile primavera-verão 2015 apresentado pela maison na última semana, durante o Paris Fashion Week. 

O Grand Palais na capital francesa mais uma vez foi o palco do show da Chanel em uma versão despretensiosa e mais urbana possível.  O time de modelos de peso aos poucos foi se formando. Cara Delevingne - musa do kaiser, e Gisele Bündchen em entrada triunfal reforçaram o coro proposto para o desfile-manifesto em defesa aos direitos das mulheres. 

Cartazes, megafones e modelos vestindo peças em tweed compuseram o cenário proposto por Lagerfeld, com padronagens que deixaram o conceitual de lado dando espaço ao comercial. Explosão de cores dividiram espaço para cores-manifesto como o verde musgo, e até o sóbrio e chic p&b estiveram presentes na apresentação. O look usado por Gisele era basicamente um body e um cardigã de tricô listrado em tons neutros - mais casual impossível!

Trazer o manifesto para um desfile da Chanel casa bem com a história da maison francesa. Gabrielle (Coco) Chanel, era uma feminista de mão cheia e foi a primeira estilista a produzir calças ao público feminino. Essa afinidade em ascender a história da marca em roupas contemporâneas e niveladas ao cenário atual, são elementos que consagram Lagerfeld não como um substituto de Coco, mas um de seus sucessores mais estimados e fiéis. 

Para o público brasileiro, em tempo de eleições, acredito que bandeiras como esta levantada pelo kaiser e pela marca devem ser levadas em conta, principalmente no que se refere a projetos que dialoguem com os direitos das mulheres. Mais do que um look bonito e bem construído, ou uma referência de beauté, o que podemos extrair disso tudo é o discurso de gênero provocado pela Chanel: queremos ser reconhecidas e nos espelhar em mulheres de peso e fibra, além de salários equiparados, do direito a palavra e a igualdade de gêneros. 

O lado político da moda como elemento expressivo me chamou mais a atenção desse desfile do que roupa em si. Porém não posso deixar de demonstrar todo o meu apreço e a afinidade com a Chanel de hoje e de ontem. Para mim a marca sempre será um símbolo de feminilidade, independente da silhueta proposta em cada temporada. É o feminino flertando com o feminismo e isso me encanta. 
 



Isabela Mattiolli

Jornalista, especializada em moda, beauté e lifestyle, autora do blog A par de tudo www.apardetudo.com