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A moda de sempre

Ela se atualiza, se renova com o tempo, mas não se esgota


Reflexo da sociedade é o que diriam os mais sensatos. Uma das primeiras obras que li sobre o assunto, ainda na época da graduação, trazia a moda não apenas como elemento, mas como fenômeno social. 


Quem, na época, me fez refletir sobre o assunto foi Gilles Lipovetsk em seu "O império do efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas". O que me encantou e continua a encantar foi que o livro aborda dois assuntos dos quais sou apaixonada: as pessoas e a moda.

Longe de ser apenas um conteúdo acadêmico, considero ser uma boa opção de leitura para pensar em moda além das passarelas, vitrines e guarda-roupas. Se criarmos uma linha do tempo da indumentária da história em si, veremos que ambos refletem momentos de disputas de classe, de resistência, de liberdade que caminha para a individualidade nas escolhas.

O consumo de moda também está de acordo com essa trajetória. Em tempos pós-guerra, a escassez de matéria-prima. Em tempos de liberdade sexual, o comprimento mini. E por aí vai e foi e continua, sempre!

O bacana é que a moda feita hoje conversa muito com essas décadas. O que era coqueluche nos anos 1980, se tiver uma releitura pode ficar in. É aí que entram termos que nem sempre a gente acerta: o vintage e o retrô. O primeiro, refere-se aquilo que foi produzido em outras décadas. Já o segundo, são as releituras feitas na atualidade dessas peças. Os dois, completamente usuais.

Uma boa peça vintage geralmente possui tecido e acabamento que nem sempre a gente encontra por aí. Fora que são roupas ou acessórios carregados de histórias e estilo. Um tailleur arrematado em um brechó ou herdado da mãe, tia ou avó, pode e deve ser usado com detalhes que renovam o look. Já pensou com uma t-shirt podrinha ou com uma sandália pesada, no melhor estilo rocker? Fica cool. A ideia de misturar o clássico com o moderno, além de ser estilo puro, não te deixa tão datada, com cara de quem parou no tempo. Para o retrô a dica é a mesma. Mesmo sendo uma peça nova, vale misturar.

Afinal de contas, a moda hoje é um dos termos mais democráticos que existem. Diferente do que passou, as tendências das passarelas internacionais, principalmente do prêt-à-porter estão presentes em redes de fast-fashion mundo afora. Exemplo delas e que desembarca no Brasil, a Forever 21 chega em dois endereços para as brasileiras: uma no MorumbiShopping, em São Paulo, e outra no VillageMall, no Rio - ambas recebem a coleção de inverno 2014.

Esse número deve crescer, já que cidades como Porto Alegre e Brasília estão na rota da rede. Por enquanto, podemos nos contentar com os valores que, embora não sejam os mesmos dos comercializados nos Estados Unidos, não deixam de ser convidativos de R$ 8,90 a R$ 122,90. Só não podemos esperar uma qualidade como aquela do tailleur anos 1980. E nessas horas eu volto a me lembrar de Lipovetsk e seu império, do efêmero!

Isabela Mattiolli

Jornalista, especializada em moda, beauté e lifestyle, autora do blog A par de tudo www.apardetudo.com