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América Latina tem menos mulheres líderes que Europa, Estados Unidos e Canadá

Estudo realizado em cinco países latino-americanos analisou a composição da diretoria de 155 empresas para avaliar quais são as medidas necessárias para promover a igualdade entre seus líderes


 

 

 Com o objetivo de avaliar a diversidade de gênero na América Latina, a EgonZehnder, companhia especializada na identificação de executivos de alto nível, analisou a composição da diretoria de 155 empresas de capital aberto sediadas no Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e México, com faturamento acima de US$ 1 bilhão. A pesquisa complementa os estudos realizados pela EgonZehnder no mundo e comprova que as empresas da América Latina, em comparação com as empresas da Europa, Canadá e Estados Unidos, ficam para trás quando o assunto é o número de mulheres em cargos de liderança.

Para Cristina Manterola, consultora da EgonZehnder de Santiago, no Chile, embora pareça que a discussão esteja tomando força na América Latina, pouco tem sido feito para reverter a situação. “As empresas devem acelerar o desenvolvimento de candidatas preparadas e aumentar o número de mulheres nomeadas para a diretoria, como outras regiões têm feito em ritmo mais agressivo”.

Para realizar a avaliação, a EgonZehnder conduziu entrevistas com 61 diretores das 155 principais empresas da América Latina, além de ouvir membros do sexo feminino que participam do conselho para conhecer suas percepções sobre a relevância da diversidade de gêneros nas reuniões de negócios e os desafios envolvidos para aumentar o número de mulheres na liderança.

O estudo constatou que, dependendo do país, o viés cultural continua desempenhando um papel significativo na progressão da liderança feminina. Além disso, apenas 21% dos entrevistados disseram que sua empresa tem políticas ou programas especiais para selecionar, contratar e promover mulheres no âmbito da gestão.

Em contrapartida, alguns países têm demonstrado avanços notáveis, como a Colômbia, por exemplo, que tem níveis relativamente altos de diversidade em suas salas de reuniões, sendo que 67% das empresas possuem mulheres como diretoras. Já na Argentina, menos da metade das empresas têm representantes do sexo feminino ocupando o mesmo posto.

Durante a pesquisa, 90% dos conselheiros demonstraram rejeição a qualquer sistema de cotas para as mulheres, política que foi usada em diversos países europeus para equiparar os números. A oposição às cotas também atinge 64% dos membros femininos do conselho, que acreditam que tais políticas não são a solução para o problema social, como explica uma delas: “Não gosto de cotas. Eu espero que a sociedade evolua naturalmente e reconheça o papel de liderança das mulheres”.

O que se observou durante todo o estudo é que os membros dos conselhos reconhecem a necessidade de estabelecer a igualdade de gêneros nas salas de reuniões, contudo, para alcançar níveis europeus, norte-americanos e canadenses, os latinos necessitam de medidas pró-ativas.

Entre as sugestões estão políticas adotadas por empresas estrangeiras para estabelecer regras internas de seleção de diretores, discussão sobre a diversidade de gêneros dentro das corporações, por meio da divulgação de dados, além do compartilhamento, entre o corpo de funcionários, de medidas que facilitem a comunicação e convivência entre os sexos.  

Da Redação