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As mudanças do jornalismo na modernidade

Assim como todas as coisas da vida, a comunicação é transformada a cada dia, a cada época


 

Comunicar-se é desde o início dos tempos uma ação inerente ao ser humano. Podemos traçar uma linha da evolução do homem através do desenvolvimento da fala, da escrita e dos meios de comunicação.

A informação, que em suma são dados sobre alguém ou alguma coisa, é parte condizente da comunicação e tão importante na formação da sociedade quanto.

No entanto, embora esteja interligada ao processo de comunicação, as duas coisas não devem ser confundidas, por se tratarem de dois processos distintos, conforme veremos adiante.

É importante ressaltar que no ponto de vista da vida humana comparada a épocas anteriores, o modo de se comunicar que temos hoje representa uma mudança no comportamento da sociedade e exerce influências significativas no desenvolvimento do pensamento, no comportamento, no posicionamento político/ideológico e no convívio social.

Antes do advento das novas ferramentas e da internet, a produção e disseminação de informação era feita de forma linear e hierárquica. O emissor emitia a mensagem para o receptor, em um processo praticamente sem interferências. Em nosso tempo, já não é nítida a separação entre emissor e receptor de notícias, jornalista e consumidor de mídia. Todos nós, de certo modo produzimos e recebemos informação. Com a tecnologia o processo de difusão destas informações possui proporções nunca antes presenciadas pelo homem.

Por exemplo, qualquer pessoa com acesso a internet pode criar um blog para produzir material informativo e divulgar na rede. Não é mais necessário estar em uma grande mídia para distribuir conteúdo. Além do que, a informação não é mais posse de pequenos conglomerados. O Wikileaks, organização sem fins lucrativos, que publica em sua página conteúdo com informações confidenciais vazadas de governos e grandes empresas, é o maior exemplo de a rede democratizou o acesso à informações.

Todavia, do mesmo modo que a internet e a tecnologia facilitaram a disseminação de informação, elas também abalaram de forma significativa a essência do conteúdo transmitido. Ou seja, aumenta-se a quantidade e diminui-se a qualidade. Com isto, pelo fato de todos produzirem informação e tudo ser consumido rapidamente e em tempo real, as grandes mídias acabam pautando-se uma com as outras. Se um portal aborda uma notícia, outro logo abordará também, pois não quer correr o risco de perder leitores. Assim, o espírito de competição afeta significantemente a produção de conteúdo relevante.

A informação sempre foi à base do espírito crítico. Quanto mais dados e conhecimento acerca do mundo, mais embasamento se tem para discutir a sociedade e nosso papel enquanto cidadãos. Porém, com a velocidade com que notícias são disseminadas na rede e com a quantidade de pessoas que escrevem e publicam conteúdo, as informações perdem em pontos fundamentais.

Sendo assim, a matéria vinculada, corre o risco de embora ter a intenção de informar não atende requisitos que uma informação necessita. Não há mais aprofundamento nos temas e nas notícias. É preciso divulgar rapidamente o que já foi divulgado por outro. A preocupação com dados que sejam de fato relevantes é deixada de lado, para atender a rapidez da rede. Ou seja, noticie, acompanhe a concorrência, sem tempo para análises completas e minuciosas.

É crescente o número de imagens e infográficos, diminuindo o espaço para textos longos. O que nos chama atenção para outra mudança nas publicações de mídia atuais: não há mais tempo para grandes textos. As pessoas estão habituadas a informações curtas e textos adaptados de internet, que contam com, no máximo três parágrafos. As imagens são o ponto forte, junto com infográficos. O que parece é que, na modernidade, não há mais tempo para leituras de textos longos e aprofundados.

Com certeza é preciso refletir e debater os caminhos da comunicação na era em que vivemos. A internet, as novas tecnologias, a fluidez das informações e a fusão entre comunicação e informação, tem levado o jornalismo para outro lado e é dever também da sociedade fiscalizar e se perguntar se este novo caminho tem apresentado resultados positivos. 

Magda Pontes

Jornalista pela FIAM, repórter na VTV SBT, assessora de imprensa na Vira Comunicação e sempre se atualizando no caos da informação.