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Cantora de ópera brasileira destaca-se também como compositora

Marly Montoni é a primeira artista brasileira a investir de forma independente nesse gênero musical e a participar de produções que retratam o cotidiano do povo negro do Sul dos Estados Unidos


 
 

Com uma beleza típica brasileira e um perfil que foge completamente ao estereótipo das divas da música erudita, Marly Montoni, de 31anos, cantora lírica(soprano), violonista clássica e compositora, não é somente uma das únicas negras a encantar o público com sua voz, mas também a primeira a participar no Brasil das óperas escritas pelo compositor americano George Gershwin (na década de 30), que retratam o cotidiano do povo negro, do Sul dos Estados Unidos. Em 2008, Marly participou de “Porgy and Bess”, no Teatro São Pedro, em São Paulo. Recentemente, em agosto, integrou a montagem de “Blue Monday”, no Teatro da Paz, em Belém do Pará. 

As duas composições são baseadas em temas de Jazz e Blues, e de "Negro Spiritual”, a música religiosa dos negros americanos. "Pra mim é uma honra ter participado de Porgy and Bess e Blue Monday de Gershwin porque são duas óperas que retratam o cotidiano do negro americano que tem muito a ver com o nosso cotidiano aqui no Brasil, além de ser uma responsabilidade, por serem duas grandes obras que eu tive a oportunidade de participar. É uma honra imensurável”, relata a soprano. 

Além dessas participações, Marly lançou recentemente seu terceiro CD, “Moonlight”, onde gravou composições próprias, toca instrumentos (castanholas e violão clássico) e faz duetos com o tenor Ulisses Montoni.

Perfil Marly Montoni

Iniciou seus estudos musicais no Projeto Guri. Estudou no Centro de Estudos Musicais Tom Jobim no curso de canto lírico com a mezzo-soprano Lenice Prioli. Em 2004, passou a estudar com o tenor Antonio Lotti. Atualmente, tem como orientador vocal o baixo italiano Carlo Colombara.

Bacharelou-se em Canto Lírico na Universidade Cruzeiro do Sul. Concluiu seu mestrado em canto lírico, com ênfase em performance pela FLM-SP.

Atuou como solista nas obras “Cantos sacros para os Orixás”, de Ernani Aguiar, “Nona Sinfonia” de Beethoven, Cantata “Alexander Nevsky”, de Prokofiev, “As Uiaras”, de Alberto Nepomuceno, “Magnificat Aleluia”, de Villa- Lobos e “Salmo 112” de José Maurício Nunes Garcia.

Integrou o elenco dos musicais “O Fantasma da Ópera”, no Teatro Abril, “Aida”, no Teatro Sergio Cardoso e “Sítio do Pica-pau Amarelo”, na temporada São Paulo - Rio de Janeiro.

Em óperas, participou de Orfeo, Madame Butterfly, Lucia di Lamermmor, Norma, Carmen, Porgy and Bess e A Viúva Alegre. Recentemente, no Teatro da Paz, em Belém do Pará, integrou a primeira montagem brasileira da ópera Blue Monday, de George Gershwin.

Realiza concertos e recitais em diversas cidades do Brasil com o seu projeto “Cantando Histórias”, tendo já se apresentado em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Salvador, Poços de Caldas, Maringá, entre outras cidades.

Em dezembro de 2012, participou do concerto do tenor Andrea Bocelli, realizado no Jockey Club de São Paulo.

Em janeiro de 2014, realizou dois concertos em homenagem ao centenário do compositor César Guerra-Peixe, no Rio de Janeiro. 

Possui 3 CDs gravados em parceria com o tenor Ulisses Montoni: Cantando Histórias (2010), Stelle (2012) e Moonlight (2014),este último, com obras de sua própria autoria.

Em agosto de 2014, foi homenageada com o “II Prêmio Livre de Música”, oferecido pela Faculdade Livre de Música Maestro Eduardo Roz, e pelo Canal TV Cinec-SP. 

Por Keila Marques