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Coaching cognitivo: Revise o seu sistema de crenças e atue com mais fluidez

No processo de Coaching não transformamos a pessoa no que ela não é, apenas fazemos emergir o melhor dela


 

 

Muito se fala sobre Coaching. Depois de mais de três mil horas na condução de processos de Coaching com aplicação do método cognitivo, sinto-me segura para falar da eficiência dele e o quanto esta técnica realmente agrega valor na atuação dos executivos e executivas, com efeitos significativos sobre a qualidade de vida, interna e externa, deles.

A grosso modo, diria que Coaching é um processo de desenvolvimento e aprendizado que ajuda as pessoas no desenvolvimento de competências e atitudes que as tornem mais eficientes e preparadas para darem conta de suas demandas.

No decorrer de nossas vidas, vamos estruturando um repertório comportamental, de crenças e valores a partir das nossas experiências de vida, relações que estabelecemos com as pessoas e principalmente como interpretamos a nossa experiência de vida.

Recentemente eu estava trabalhando com uma executiva da área de RH e a mesma relatava que ficou muito ansiosa diante de um novo trabalho. Detalhe, ela é sênior, com aproximadamente 20 anos de experiência na área e uma performance acima da média.

Minha pergunta foi: por que tanto sofrimento? O que passa pela sua cabeça quando está no seu grau máximo de ansiedade?

Assim ela me respondeu: “eu não posso errar. Eu tenho que fazer tudo certo”.

Pesquisando um pouco mais, a executiva trouxe à tona que em situações de fracasso, adultos significativos faziam comentários como “você não pode cometer esse tipo de erro, como você fez isso, você deveria saber como agir nessa situação”. Detalhe: isso ocorria até mesmo quando era a primeira vez que ela realizava tal atividade.

Costumo dizer que tudo bem que os pássaros voem, mas se fizerem ninho, isso é uma responsabilidade nossa. Isto é, se tivéssemos a habilidade emocional e cognitiva para ouvir tais comentários e não tirar conclusões distorcidas, passaríamos imunes ou seríamos mais efetivos diante de tais observações.

O problema é exatamente o oposto. Nós ouvimos, interpretamos e criamos uma crença, tal como: “eu não posso errar; se eu errar, serei visto como fraco, um incompetente, incapaz.”

Uma crença nada mais é uma ideia que ficou rígida e absoluta, ou seja, imutável.

No modelo tradicional de Coaching, levaríamos a pessoa a pensar na meta e o que ela poderia fazer para atingi-la.

No Coaching cognitivo, auxiliamos o profissional a descobrir as crenças que residem e resistem por trás das dificuldades, identificando-as e desafiando-as, com o intuito de provar se elas são verdadeiras. Isso de dá por meio de desafios pragmáticos buscando evidências que sustentam ou não a crença.

As evidências são fatos reais. No começo, a pessoa tende a trazer hipóteses e não fatos, tais como “é muito ruim errar”, “ninguém gosta de errar”, até entender que somente os fatos reais são potentes para desafiar a crenças, ou seja, verificar se ela é realista ou distorcida a partir dos problemas e consequências que ela sofreu quando errou. O mais interessante é quando se busca as evidências que não apoiam essa crença e a pessoa traz um caminhão de fatos reais:

- “Errei e não aconteceu nada”
- “Todos os seres humanos erram”
- “Errar faz parte do processo de aprendizagem”
- “Pessoas competentes erram a todo momento”
- “Quando alguém erra, eu acho isso normal”

Após verificar que a sua crença estava distorcida, em uma próxima vez ela poderia pensar:

- “Eu posso errar”
- “O erro faz parte do processo de aprendizagem e desenvolvimento”
- “Seria preferível que eu não errasse, mas isso não é o fim do mundo”

Essa crença mais flexível permite que a pessoa saia do estado de ansiedade para o de uma maior tranquilidade, de insegurança para o de mais potência e autoconfiança.

Christiana Couto, coordenadora jurídica e coachee cognitiva, fez o seguinte comentário: “a ansiedade é o mal do século. As pessoas estão mais ansiosas, sem paciência. No ambiente de trabalho sofremos pressão por melhores resultados e respostas mais rápidas.  Nesse contexto, o Coaching me ajudou muito a desenvolver um equilíbrio emocional e a não ser consumida por esse sentimento.  Nesse processo, observamos a situação de forma objetiva, fatos por si só sem julgamentos de valor.  Olhar o que realmente aconteceu sem personalizar a situação ou supervalorizar ou superestimar o problema, olhar para os meus recursos de enfrentamento, verificar quem pode me apoiar diante dos desafios.  A autoconfiança veio como consequência.  Esse controle gera benefícios a todos em volta, não apenas no trabalho como também na vida pessoal”.   

Paramos por ai? Não! A partir desse ponto, podemos desenhar quais são as ações para atingir as metas, focando a energia em prol do que precisa ser feito e não perder mais tempo administrando esse estado emocional e cognitivo bagunçado, sequestrador de energia vital tão importante para uma ação focada e competente.

Com isso a pessoa fica mais leve, efetiva e com uma prontidão para fazer o que sabe ou buscar aprender novos repertórios. É o que demonstra o depoimento de um notável gerente de desenvolvimento de produto, engenheiro de formação e coachee cognitivo:

Quando assumi a função de gerente, fiquei muito inseguro e fui conquistando a minha confiança à medida em que aprendi mais sobre a área, a minha função e a minha equipe, entendendo que um erro isolado não me traduzia. A minha história é maior que os eventos isolados. Hoje inclusive assumi desafios muitos maiores.

O Coaching cognitivo se presta a trabalhar na reconstrução do sistema de crenças, transcendendo a falsa barreira do “não posso errar senão serei percebido como incompetente” para “não desejo errar, mas isso não é o fim do mundo, é um fenômeno completamente humano, parte da aprendizagem e isso isoladamente não me traduz; é a minha história que dirá se sou competente frente a um desafio ou cargo”.

Após a reestruturação do sistema de crenças, focamos em comportamentos tangíveis e de melhor qualidade em prol da meta a ser atingida.

No processo de Coaching não transformamos a pessoa no que ela não é, apenas fazemos emergir o melhor dela, o potencial latente, à medida em que limpamos essa cortina de fumaça que ofusca o brilho de cada um. Tudo isso pode ser alcançado por meio da reestruturação de crenças funcionais e, assim, a energia pode voltar a ser focada na realização da meta.

O mais bonito de tudo é perceber que, além da pessoa ganhar em competência, torna-se mais leve e feliz. E com isso, eu me sinto plena, cumprindo a minha missão para um mundo melhor.

Mari Martins

Empresária, diretora da Duomo Educação Corporativa, executive coach, mãe da Olívia (8 anos), casada