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Congelamento de óvulos, uma opção à gestação tardia

Criopreservação é um auxílio para quem quer postergar a maternidade ou para mulheres que passaram por tratamentos contra o câncer


 

Economista, 37 anos e sem filhos. Esta é Rina Cunha, uma das mulheres que após uma consulta ginecológica e de ouvir as orientações de um profissional optou em preservar seus óvulos. A intenção? Garantir a maternidade daqui certo tempo.

“O grande benefício do congelamento de óvulos é dar longevidade à fertilidade da mulher. Agora, podemos decidir quando e em que estágio de vida queremos ter um filho. Este processo não se aplica somente àquelas que ainda não se sentem preparadas para a maternidade, mas também às que precisam preservar os óvulos por questões relacionadas à saúde. Não importa o motivo, o mais importante é que temos mais tempo para decidir o momento de ser mãe”, afirma.

Em ascensão profissional, Rina Cunha destaca que poder decidir o melhor momento para gerar um filho traz vantagens para a mãe e, principalmente, para a criança. “O que um filho deseja é ter uma mãe satisfeita com as escolhas que fez. Por isso, idade não tem a menor importância”, enfatiza.

Em crescimento no País, somente no primeiro semestre de 2015 a Fertivitro – Centro de Reprodução Humana, dirigida pelo ginecologista especialista em Reprodução Humana, Luiz Eduardo Albuquerque registrou um aumento de 60% nos procedimentos de congelamento de óvulos, em relação ao mesmo período do ano passado.

“A preservação é um método novo e a procura tem crescido devido à divulgação da mídia. Após a criopreservação, as pacientes costumam retornar para fazer a fertilização in vitro depois de três ou cinco anos do congelamento”, pontua o profissional.

Mas, após a decisão feita, quais são os passos seguintes? Como é realizado o procedimento? Quem pode fazê-lo? Abaixo, confira os esclarecimentos do Dr. Luiz Eduardo Albuquerque.

Quem pode fazer?

Recorrer às técnicas de reprodução humana para preservar a fertilidade tem sido uma das escolhas de algumas mulheres. Fatores como problemas de fertilidade ou decisões relacionadas à carreira profissional, tem feito com que elas busquem os avanços da Medicina Reprodutiva, um método que permite o congelamento de óvulos e a realização da FIV (fertilização in vitro) - método em que a fecundação dos gametas (óvulos e espermatozoides) é feita em laboratório, no momento em que a paciente considerar oportuno tentar engravidar.

De acordo com o Dr. Luiz Eduardo Albuquerque, a maioria de suas pacientes é saudável e planeja a maternidade depois de conquistar a estabilidade na carreira. No entanto, há casos em que a criopreservação de óocitos, ocorre quando as mulheres passam por tratamento contra o cancer e precisam fazer a quimioterapia, ou ainda, quando há a necessidade de tratamentos de infertilidade por meio da fertilização in vitro. Desta maneira, elas optam por e congelar óvulos ou embriões.

“A criopreservação é um plano B para a reprodução humana. Suponhamos que aos 35 anos ela (a mulher) resolva congelar seus óvulos, pois não há o desejo de engravidar nos próximos cinco anos. Mas, aos 37 anos, ela conhece o seu 'príncipe' dela e resolve ter filhos? Ela não vai precisar do óvulo, pois vai tentar engravidar pelo método tradicional. Caso não seja possível ou exista um fator que ela precise de um tratamento de fertilização in vitro, por exemplo, a pessoa poderá usar os óvulos preservados e as chances de engravidar serão maiores”, ressalta o médico.

O ginecologista afirma que o melhor momento para a preservação acontece antes dos 35 anos de idade, já que é possível garantir gametas (óvulos) em “ótimo estado”. “A melhor idade para a preservação é antes dos 35 anos, pois o declínio da fertilidade feminina é um fator biológico e começa a partir da idade citada”, afirma.

No entanto, o médico é taxativo ao afirmar: “nada impede a mulher de fazer a preservação depois dos 35 anos. A única coisa é que devido à faixa etária, seja necessário mais de uma coleta”, frisa.

Como é feito?

“Primeira coisa a ser feita é uma consulta ginecológica para avaliar o aparelho reprodutor feminino e toda a sua reserva ovariana. O objetivo é uma avaliação em termos hormonais e de reserva, para definir quais são e quanto de medicamentos vamos usar para 'extrair' o máximo de óvulos e preservar o maior número possível. Também, fazemos todos os exames para detectar algum tipo de DST (Doença Sexualmente Transmissível)”, destaca Dr. Luiz Eduardo Albuquerque.

Com os exames em mãos e a liberação médica é chegada a hora de realizar o procedimento. Primeiro, a paciente toma injeção de hormônios para a estimulação ovariana. Depois da formação, a paciente é sedada e os óvulos são coletados por uma fina agulha de aspiração folicular guiada por ultrassom. O material coletado é enviado à incubadora e mantido a uma temperatura de 37º com gás carbônico e oxigênio.

Então, os óvulos maduros são encaminhados ao processo de vitrificação e depois da criopreservação ou congelamento, os gametas femininos são armazenados em nitrogênio líquido a 196º negativos.

“O congelamento pode ser mantido por anos. Já existem embriões congelados há oito anos e temos casos de sucesso de pessoas que tiveram gestação com óvulos congelados há uma década. Ou seja, o congelamento pode ser mantido por tempo indeterminado”, conta.

Quando a paciente decidir utilizar os óvulos, esses gametas são retirados do nitrogênio líquido e colocados em uma incubadora por duas horas. Posteriormente, o material é submetido ao tratamento de reprodução assistida, ou seja, a fertilização in vitro pela técnica de ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide).

Custos

Saber o custo do congelamento de óvulos é importante para muitas mulheres. “Existem dois grandes custos que devem ser considerados: a técnica em si e os medicamentos indutores”, explica Dr. Luiz Eduardo Albuquerque. Os valores exatos não foram divulgados pelo profissional.

No entanto, existem hospitais que oferecem o tratamento de fertilidade pelo SUS (Sistema Único de Saúde), como o Pérola Byington, por exemplo, que tem programa gratuito de congelamento de óvulos para pacientes com câncer.

“Para atender pacientes com recursos limitados e que não podem realizar o tratamento de infertilidade em clínicas particulares, oferecemos um programa de baixo custo – o Opportunity”, relata o ginecologista.

A iniciativa da Fertivitro oferece desconto de até 40% nos procedimentos. O custo total vai depender do perfil financeiro dos pacientes. O programa oferta procedimentos para a infertilidade conjugal, desde os de baixa complexidade, como coito programado e inseminação intrauterina; até os de alta complexidade, como a fertilização in vitro e a Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoides.

Para participar do programa os pacientes passam por uma avaliação médica para verificar o tipo de tratamento. Entre os critérios estabelecidos estão: idade da mulher inferior a 38 anos, aprovação pós-avaliação médica e análise financeira. Todos os procedimentos são realizados na Fertivitro.

No site www.desejoengravidar.com.br, é possível se informar sobre os tipos de tratamentos, custos, um guia completo para o paciente, unidades de atendimento e conhecer a equipe especialista em Reprodução Assistida que trabalha no programa Opportunity.

Por Carla Caroline