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Divórcio e filhos

O que um casal em separação deve fazer em relação aos filhos.


A separação de casais que têm filhos juntos é cada vez mais comum. Porém, para esses filhos, a situação nunca será natural. Como fazer para ter uma separação ou divórcio que seja aceita pelos filhos? E como evitar que eles fiquem muito tristes e decepcionados?

Numa relação de conflitos é comum haver brigas, discussões e provocações entre o casal. Porém, é preciso que essas situações não ocorram perto dos filhos do casal. E não importa a idade. A psicopedagoga Betina Serson, autora do livro "Seja o herói dos seus filhos", diz que só o clima que as brigas fazem com que os filhos saibam que a vida a dois dos pais não vai bem. "A criança, mesmo os bebês, sentem quando os pais estão brigando, então é desnecessário que as brigas ocorram na frente dos filhos. Nesse momento o mais importante e que não ajam agressões físicas e que o nível, dentro do possível, não baixe muito", afirma.

Se uma situação conjugal não está boa, Betina diz que é melhor se separar antes que não aja mais respeito. "Os pais não devem responsabilizar os filhos por não se separarem, a frase 'ainda estou casado pelos meus filhos' não é verdade e só irá piorar a situação para todos", recomenda.

Com isso, é claro que o casal falar mal um do outro aos filhos é errado. Depois da separação, então, é proibido. "O casal não pode e não deve falar mal um do outro, pois coloca o filho em uma situação muito difícil. Inclusive agora, por lei, se um dos ex-cônjuges falar mal do outro para o filho sofrerá consequências", explica Betina, e diz que toda criança sente um pouco de culpa pelo divórcio dos pais: "O processo de separação já traz consigo muitas mágoas e ressentimentos, então quanto mais as pessoas puderem ser preservadas melhor para todos".

Apesar de evitar que os filhos presenciem cenas de discussões e contar sobre os conflitos, o casal deve conversar com eles antes de se separar, para explicar sobre a nova situação que vivenciarão. "O casal não pode brigar e fingir que nada aconteceu, porque não vai adiantar. Afinal, para um relacionamento terminar em separação ou divórcio é que já aconteceram muitas brigas e provavelmente não será surpresa para ninguém".

Quanto à guarda dos filhos, depende da idade. Quando menores de 18 anos, a opinião deles para a justiça não é válida. Mas os pais devem considerar a opinião deles, quando pré-adolescentes até os 18 anos. Quando muito pequenos, e a justiça irá decidir caso o pai e a mãe queiram a guarda. "Uma criança muito pequena não tem condições de decidir. Os pais são os adultos e devem zelar pela segurança dos filhos", diz a pedagoga.

Portanto, se a situação não está nada bem, é importante não envolver os filhos - apenas nas conversas francas após a decisão. Às vezes é só uma crise conjugal que pode passar caso ainda haja amor e respeito entre os pais, e se passar essa crise, os filhos não estarão sabendo de nada e tudo segue mais tranquilo no ambiente familiar. Se terminar em decisão de divórcio, o respeito nas conversas deve prevalecer, aí sim, "por causa dos filhos".

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