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Estudo brasileiro mostra alternativa ao tratamento de hiperidrose

Uso da radiofrequência bipolar apresenta resultados positivos no tratamento do suor intenso nas axilas


 

A hiperidrose é uma doença que desafia a Dermatologia. Caracterizada por causar suor exagerado nos pacientes, a patologia, até o momento, possui difícil tratamento, e muitas vezes obriga o portador a conviver com situações constrangedoras.

Pensando na busca por opções de tratamentos não invasivos e mais confortáveis, a equipe conduzida pela dermatologista e Coordenadora do Departamento Científico da Sociedade Brasileira de Dermatologista, Denise Steiner, e o corpo acadêmico da Universidade Mogi das Cruzes realizaram estudo piloto para avaliação da eficácia da radiofrequência bipolar em pacientes com hiperidrose axilar (sudorese excessiva nas axilas).

"Apesar de termos diversos tratamentos disponíveis hoje, nenhum possui eficácia garantida e duradoura, portanto é necessário verificar novas possibilidades, para tratamentos efetivos ou mesmo para auxiliar as demais opções de que dispomos até o momento”, afirma a doutora Denise Steiner.

O estudo foi realizado em voluntários, escolhidos após análise de perfil. Foram critérios para seleção: teste de Minor, que por meio de uma solução de amido e iodo, mapeia os pontos de sudorese e o impacto na qualidade de vida do paciente com pontuação mínima de três (seguindo escala de severidade subjetiva de Solish). Os critérios de exclusão foram: presença de doenças sistêmicas, distúrbios psicológicos, gestação, cicatriz hipertrófica, queloide e tratamentos prévios. Ou seja, todos os voluntários jamais tinham passado por tratamento anterior.

Os participantes passaram por sessões com radiofrequência bipolar, realizando seis sessões semanais na região das axilas. Antes do procedimento, eles eram aconselhados a depilar as axilas com lâmina de barbear ou cera. Cada axila recebia seis minutos de radiofrequência a 50W.

Segundo retorno dos próprios voluntários houve satisfação com resultados já na primeira sessão, tendo 90% de satisfação de quatro das cinco pessoas ao fim do tratamento (após 30 dias), e melhora no odor do suor em três deles. Os pacientes com sobrepeso/obesos obtiveram melhores resultados, pois a ponteira do aparelho pôde deslizar melhor já que estes pacientes possuíam mais tecido adiposo.

Fotografias e novos testes demonstraram que, após o período de tratamento, os pacientes também conseguiram reverter os resultados do Teste de Minor, que não acusou mais pontos de sudorese.

A equipe de Denise Steiner afirma que os resultados do estudo piloto são alentadores. “A hiperhidrose axilar é um grande desafio ao dermatologista, que necessita ponderar os efeitos colaterais de terapias invasivas em relação à ineficácia das conservadoras”, destacam. A dermatologista finaliza que os resultados apontam que “a radiofrequência bipolar é método seguro, com baixas taxas de complicação, e excelente opção adicional ao tratamento”.

Da Redação