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Executiva e mãe polvo

Zilhões de tarefas diárias. Trabalho, reunião, ligação, casa, filhos e marido. É, a vida da mulher executiva é corrida e cheia de alegrias compensatórias


 

Quero começar este texto, bem como esse momento mega especial, lembrando o saudoso psiquiatra e educador Içami Tiba, que escreveu muitos livros sobre educação, comportamento e psicologia. Nunca ninguém definiu tão bem uma mulher como ele em um dos seus livros, o best-seller “Homem Cobra e Mulher Polvo”, no qual coloca exatamente a sensação que tenho todos os dias: que sou uma executiva e mãe polvo.

Às vezes penso que somente oito braços não são suficientes para dar conta das várias funções que executo ao longo do meu dia, porém, não existe outro animal tão conhecido com mais braços do que um polvo para fazermos a comparação, pelo menos no mundo real... mas, como as crianças agora estão na escola, não tenho como perguntar ao João se existe um desenho animado qualquer. Acredito que você já sentiu isso, não? E não apenas diariamente, mas a cada momento.

Logo depois de acordar com o maravilhoso bom dia e os beijos dos meus filhos já é hora de pensar nas pendências com a escola: lanche, pagamento dos boletos da mensalidade, do passeio, do evento extra, da festa de final de ano (o pagamento dessa aqui já foi em junho) entre outros... um verdadeiro e carinhoso bom dia, caras leitoras e leitores, daquelas “mini-gentes lindas” com um sorriso no rostinho de olhos cheio de brilho não ha no mundo nada melhor!

Essa é toda a força que preciso para iniciar os novos desafios do dia com todo o gás necessário. É como se fosse aquele combustível super potente que colocam no foguete que o arranca do chão mesmo com todas aquelas toneladas de peso. É exatamente essa sensação que tenho ao sair da minha cama com poder magnético que fica me puxando para voltar. Aí sim, eu consigo acordar e me motivar para mais um dia neste mar de tubarões e enguias elétricas. Esse combustível tem o nome de amor e cuidado da prole.

Em seguida, um rápido café, um banho para acordar e ir para o escritório. Ah, durante o café já repassando a planilha para a “Márcia que faz comida gostosa”, segundo a Helena, dos lanches das crianças, organização da casa, jantar etc. Ao mesmo tempo, um beijo de bom dia no marido e o acerto das pendências da casa, dos pagamentos da família, dos trabalhos do dia (fazemos alguns em parceria) e horários e vez de pegar as crianças na escola.

O trânsito ajuda com o tempo para as ligações e a pensar e organizar algumas ações para os clientes, casa, vida... aliás, o trânsito é o meu momento de relaxar e criar. Penso no escritório com toda a equipe, nos clientes, nos prospects e nos pagamentos pendentes. Com isso, meus tentáculos já estão no rádio e ao mesmo tempo no celular, e depois no volante e na caneta anotando alguma coisa. Cuidado com o trânsito e com o celular ao mesmo tempo!! Perigo! Faça isso apenas quando estiver de carona!

Puxa, quem já não sentiu essa sensação de ter muitas coisas ao mesmo tempo e que todas as bolinhas, como as que o malabarista está jogando para cima, na frente do meu carro parado no semáforo, vão cair? O pior de tudo é que cada bolinha dessas pode machucar alguém: meus filhos, minha equipe, meu marido, minha família, meus amigos, meus parentes etc.

Naquele filme do Homem Aranha, que vi com meu marido e filhos, e dormi no final, o vilão Doutor Octopus, tenta dominar o mundo e quer ser cada vez mais poderoso. Às vezes penso se sou superpoderosa que nem ele. Ou que quero ser superpoderosa... Mas, acho que não, quero só ter uma boa qualidade de vida e criar bem os meus filhos para que tenham oportunidades de experimentar tudo que este mundo maravilhoso de Deus oferece.

Quando vim do interior deste nosso lindo país (alguém aqui conhece Codó?), não tinha muito ideia do que era esta vida ou que oportunidades eu poderia ter. Um amigo até me disse “aqui você já tem amigos, conhece as pessoas... lá você vai ser apenas mais uma...”. Vi o exemplo de minha mãe, uma super mulher empreendedora, que batalhava no dia a dia para trazer comida para casa, com seus micro negócios dando certo e não dando certo e, com isso, aprendi muito, com certeza. Porém, sobre esta fase de família, filhos, empresa com funcionários, marido, casa, contas, enfim, uma executiva e mãe polvo, ninguém me ensinou nada não. Por mais que o querido Içami Tiba tenha escrito um monte de dicas, ensinamentos e bons pensamentos que sigo, a vida que segue é outra.

O aprendizado vem a cada momento, não há uma cartilha, uma receita de bolo. Hum... falando de bolo tem uma ótima receita que posso passar no próximo artigo. Bom, voltando para o “foco! Foco”, temos que buscar que neste conhecimento adquirido a cada manhã, tarde e noite possamos ser melhores para o próximo dia. Sim, temos que ter um tempo para refletir e fazer download de tudo o que passou no dia para que possamos sistematizar e, quem sabe, transmitir para alguém, pode ser até para os nossos filhos. Acredito que este é o Ciclo da Vida, como diriam no filme do Rei Leão, sabe como é mãe, né? Conhece quase todas as animações...

E sabe o que é mais legal de tudo? Eu AMO essa loucura, essa correria toda! Vibro muito a cada conquista, a cada resultado! E convido todas aqui a transmitir esse nosso aprendizado das formas mais variadas possíveis, em uma bronca, em um almoço, em uma conversa no bar ou, quem sabe, num artigo. Vamos nessa, queridas colegas polvo! Muito temos que desbravar neste novo modelo de mulher executiva e mãe.

Fran Oliveira

Fundadora da Oficina da Comunicação Integrada, mãe de João (7 anos), Helena (4), esposa de Marcus Nakagawa e muito feliz por ter saúde, muita disposição e amigos