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Faça amor, não faça guerra

Se está numa carreira corporativa, abandone a guerra; hoje vivemos a era do comprometimento e da ajuda mútua.


 

Posso até ser tachada de andar na contramão, por conta das minhas ideias. Mas, na verdade, gosto de raciocinar e entender o significado das palavras antes de inseri-las na minha vida. Hoje, por exemplo, a moda é falar: sou guerreira, luto, batalho muito para viver. Ser guerreira virou algo desejável, afinal, é sinônimo de mulher poderosa. Mas quem luta e guerreia realmente tem poder? Consegue o que quer sempre? Ou simplesmente esgota todas as suas forças em batalhas inúteis com moinhos de vento?

Pelo dicionário, guerreira vem de guerra, que é uma luta armada entre nações ou partidos do mesmo povo. A origem da palavra é germânica - werra, que em resumo significa discordância. Depois disso, quer ainda ser guerreira e só atrair batalha e fiasco para sua vida? Eu não. Não sou guerreira, porque passo muito tempo buscando soluções diferentes para ter uma vida mais tranquila. Trabalho muito sim, pois é uma opção de vida, mas não luto com meus clientes, colaboradores ou parceiros. Quero viver em paz com todos eles.

Não quero carregar o mundo nas costas e ser mártir. Vivemos na era do compartilhamento, e não é só de fotos das férias ou de selfies, mas de pensamentos e ações. É a era do comprometimento e ajuda mútua; quem não erguer a mão para o próximo, dificilmente será bem aceito.

É comum a empreendedora se proclamar guerreira. Em primeiro lugar, ela deve se considerar corajosa, que vem da palavra coragem, ou seja, viver com o coração. Só quem usa esse órgão maravilhoso com sabedoria consegue enxergar o caminho certo a seguir. Se combinar então com cérebro, as possibilidades de sucesso serão de 100%.

Quem está numa carreira corporativa, abandone a guerra. O mundo nas empresas já é competitivo demais para se manter nessa energia. A cada dia vejo mais mulheres desgastadas e com problemas sérios de saúde por entrarem em um nível extremo de batalhas desnecessárias. E para que? Para ter um plano de saúde bom que possa pagar pelos estragos que serão ocasionados no decorrer dos anos? Por que não cooperação, no lugar de competição?

Ser vencedora também é algo meio pesado, pois mostra que foi empreendido grande esforço, com muito suor escorrendo. Não gosto. Prefiro dizer que sou feliz. E ponto. Feliz porque tenho inteligência para trabalhar no que amo e ainda ganhar para isso; feliz porque tenho clientes que gostam do meu trabalho; feliz porque tenho saúde e estou sempre disposta a ajudar outras pessoas. Sem precisar pegar o arco e flecha, tacape, fuzil ou granada. Deixo isso para quem não confia em si e no potencial interno. Esforços inúteis? Estou fora, pois meu foco é no amor e não na guerra. 

Ana Claudia Proença

Jornalista e empreendedora na área de comunicação e marketing