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Iside Falzetta:"Sempre tive 'ódio' de dizerem que eu era bonita, antes de falarem da minha competência"

Arquiteta e sócia-diretora da L+M, destaca a importância do equilíbrio entre família e trabalho, e mostra que, sim, existem pessoas que nascem para liderar


 

Sempre tive 'ódio' de dizerem que eu era bonita, antes de falarem da minha competência”. Sim, ela é linda, elegante e cheia de competência. Traços orientais e olhos verdes. Decidida e cheia de espontaneidade. Essas são algumas das características de Iside Falzetta, a Didê.

Muito mais do que arquiteta e mulher de negócios, ela é sinônimo de família, companheirismo, lealdade e, claro, muita dedicação ao trabalho. Filha de uma brasileira (neta de suíços) e de pai japonês, Didê é sócia e diretora de comunicação, marketing e relações institucionais da L+M, empresa especializada em projeto, construção, tecnologias, manutenção e gestão de empreendimentos de saúde, e muito mais.

Ela mostra ao Portal Mulher Executiva, que é possível ter ascensão profissional, cuidar da família e do casamento. Ter boas amizades e exercer o amor pela gastronomia, tudo isso sem perder a essência feminina.

Nas próximas linhas, veremos que alguém como ela não fica invisível. Não, não é apenas pela beleza. Mas sim, pela maneira com que ela caminha, movimenta a mão e, principalmente, articula cada palavra.

Líder desde o berço

Ariana, Iside nasceu para liderar. Desde menina coordenava os jogos na escola e as atividades em sala de aula. “Sempre gostei de liderança. É algo natural. Não que eu desejasse mandar, sempre quis juntar as pessoas e fazer as coisas acontecerem. Isso, desde pequena e sem muita consciência de que isso era liderança”, conta ela, aos 47 anos.

Oriunda de uma família amável e simples, como ela mesma descreve, a liberdade financeira era o seu maior anseio, mesmo como 15 anos de idade. A garota que achava um absurdo o pai custear sua escola e as passagens de ônibus, traçou um plano para conquistar a CNH (Carteira Nacional de Habilitação). Afinal, se as coisas na vida não dessem certo, ela se tornaria motorista profissional.

Sabia que para tirar a carteira de habilitação precisaria de dinheiro. Então, comecei a ajudar uma amiga da minha mãe a vender roupas, que vinham do Rio de Janeiro e de Minas Gerais para São Paulo. Além das vendas, desfilava os modelos e ganhava um dinheiro a mais. Fiz isso durante bastante tempo e com 18 anos, tirei minha carteira de motorista profissional”, relata.

Descoberta da profissão

Depois de cursar o ensino fundamental em escola particular, a jovem partiu para o ensino técnico e, assim, descobriu a sua profissão. “Fui fazer o colégio técnico e me realizei. Cursei edificações e aí, tomei conhecimento do que é a minha profissão, a arquitetura”, relata a arquiteta e urbanista formada pela turma de 1990 da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo.

Determinada a concluir a universidade, ela contou com o apoio da madrinha para custear os primeiros 12 meses da graduação. “No segundo ano do curso, encontrei o Lauro Miquelin, que é sócio-fundador da L+M e então, comecei como estagiária, na empresa que estou há 27 anos, e hoje, sou uma das sócias”, destaca Didê, que foi arrebatada pelas possibilidades de desenvolvimento da corporação recém-formada.

Da arquitetura para a comunicação

Mesmo feliz e vivendo da profissão, Iside precisava de desafios. Em 2000, casada e grávida do segundo filho, ela foi levada a um novo rumo: ser uma das sócias da companhia que viu crescer. “Eu vivi e vivo a empresa em todos os pormenores”, pontua.

Um mês e meio após o nascimento do bebê, motivada e cheia de ânimo, a profissional retornou para a L+M e após dez anos em meio aos projetos de arquitetura hospitalar, deixou as pranchetas de lado e iniciou suas atividades no departamento comercial. Por lá, ficou por 15 anos.

Eu já fazia marketing extraoficialmente. Então, me propus a trabalhar na estruturação do departamento e comecei a pesquisar sobre relações institucionais”, explica Iside Falzetta ao destacar que “dentro da minha área, o que me motiva é o novo. Acredito muito na troca de informações. Trabalho com uma agência que me ajuda a fazer um trabalho intenso de marketing nos últimos dois anos”, frisa.

Em campo “adversário”

Uma das poucas mulheres em um meio dominado por homens, Iside tem circulação livre entre arquitetos e diretores de grandes hospitais, faz uso da paciência oriental e desta forma, conquista cada vez mais respeito e reconhecimento. “Atualmente, tenho um reconhecimento dentro do setor. Mas, não foi e não é fácil”, ressalta.

A líder observa que o sexo feminino possui pouca representatividade em muitos segmentos e que “ainda são poucas que possuem um 'lugar ao sol'. Tenho alguns exemplos e ídolos, como a Dra. Waleska Santos (presidente e fundadora da HOSPITALAR Feira e Fórum), que conseguiu o seu espaço e é líder sem impor a liderança”, diz.

Saber comandar e mostrar os melhores caminhos é essencial em tempos de recessão econômica, como o que vivemos em 2015. De gênio forte, Falzetta opta por agir ao invés de mandar.

Sou uma líder do exemplo, não gosto de mandar. Pois, quando mando, não é muito bom (risos). Mas, creio que tenho dado bons exemplos”, pontua a sócia-diretora da L+M, que conta com cerca de 120 colaboradores diretos, além dos trabalhadores de suas obras.

Mãe, esposa... Família

É tão bom ter a quem dar satisfação, poder compartilhar coisas boas e ruins. A vida precisa ser leve”, reflete a mulher que afirma ter o máximo de praticidade para equilibrar a relação família/trabalho.

Para administrar as coisas em casa, desde a primeira gestação, Didê conta com a ajuda da família, em especial do esposo, dos pais e dos sogros. “Isso me deixava tranquila para trabalhar e viajar. Mas, procurava organizar a agenda para não ficar mais do que uma noite fora de casa”, destaca a mãe de Ana Beatriz (18) e Júlio (14).

Defensora da tese “melhor qualidade do que quantidade”, ela preserva o café da manhã e os passeios em família, além das conversas via WhatsApp (aplicativo de conversa instantânea via celular). “Me dedico muito à família”, categoriza.

Fora do trabalho, o amor é a gastronomia

Iside gosta de cozinhar e tem um grupo de dez amigos da época da faculdade. “Nos encontramos sempre e é quase uma 'igreja' para mim. Levamos os filhos, conversamos,fazemos jantares. Ahhh... gosto muito de gente”, conta ela.

Amante da gastronomia, Didê vê a culinária como relaxamento. “Cozinhar para mim é como uma oração, uma alquimia. É um passatempo que gosto, além de ir para o sítio e viajar”, relata a arquiteta que tem prazer em apresentar os locais que trabalha à família.

 

Depois de 40 minutos de uma conversa cheia de carisma e simpatia, Didê, conclui o papo com uma lição de crença ao país em que vivemos. “Tem um desenho que é genial. 'Procurando Nemo' tem a personagem Dory que possui uma frase ótima: 'Continue a nadar'. Muitas vezes a água passa do nariz e quando isso acontecer, suba até a superfície, pegue novo fôlego e vá embora. Por isso, não saio daqui. Não vou desistir do Brasil, pois há muito o que fazer e sou uma pessoa de fé. Não há mal que dure para sempre”, conclui.

 

 

 

Por Carla Caroline