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Leila Velez: "Ser empreendedor no Brasil,independente do setor que você esteja é extremamente desafiador,no meu caso foi ainda mais porque sou mulher e com um negócio focado em pessoas de baixa renda"

Presidente e sócia fundadora do Instituto Beleza Natural fala sobre carreira, empoderamento feminino e ascensão profissional


 


22 anos proporcionando cachos de diva”. Além de cabelos cheios de vida, o Instituto Beleza Natural (BN) traz a cada um que transita pelos seus corredores, sejam eles colaboradores ou clientes, autoestima elevada e mais valorização.

Nascido do empreendedorismo de Heloísa Assis, a Zica; seu esposo, Jair e os ex-funcionários de uma multinacional de fast food: Rogério Assis e Leila Velez, o negócio trouxe ao mercado de beleza, um processo inovador de cuidados para os cabelos crespos.

O Beleza Natural oferece um tratamento diferenciado do atendimento até o resultado final. Trabalhamos para quem deseja assumir a sua beleza natural, ou seja, a beleza do fio cacheado e crespo sem ter que recorrer ao alisamento para ter um visual bacana, prático e saudável”, explica Leila Velez, sócia fundadora e presidente da empresa, ao relatar que “além disso, orientamos e auxiliamos nossos clientes a manter os cuidados com os fios mesmo fora dos nossos salões, com passo a passo e venda de produtos especiais para atender cada caso”, complementa.

Presente em cinco Estados – Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia – a rede registra 34 unidades de negócios, sendo 30 institutos, dois quiosques e duas lojas de produtos, além da sede e da fábrica Cor Brasil. Com 3.171 colaboradores, segundo dados de julho de 2015, a companhia tem 2.994 mulheres em seu quadro, sendo 157 em cargos de gerência.

Formada em administração com foco em marketing pela ESPM e MBA executivo pela Coppead-RJ, Leila Velez é responsável pelo atendimento de mais de 130 mil clientes por mês. Com participação em cursos de escolas renomadas no exterior, recentemente, ela foi premiada como “Mulher Empreendedora do Ano” (Female Entrepreneur of the Year) no Endeavor Summit, em San Francisco (EUA)

Em entrevista ao Portal Mulher Executiva, a empreendedora fala sobre carreira, empoderamento feminino e, ainda, sobre a ascensão profissional do sexo feminino. Confira!

 

Portal Mulher Executiva - Quais foram os principais desafios encontrados em sua carreira como empreendedora? Houve preconceito, pelo fato de você ser mulher e ocupar um cargo de destaque?

Leila Velez - Na verdade houve uma confluência de situações que fizeram com que a minha vida de empreendedora tivesse uma série de obstáculos, não só por ser mulher. Ser empreendedor no Brasil, independente do setor que você esteja é extremamente desafiador, no meu caso foi ainda mais porque sou mulher e com um negócio focado em pessoas de baixa renda.

Além disso, tanto eu quanto os meus sócios viemos de uma vida humilde e desde o início do negócio focamos em um público-alvo diferente do habitual. Essas características nos fizeram sofrer com a questão da descrença, poucos acreditaram que atingiríamos o sucesso. Mas, consigo enxergar nos meios que frequento, o quanto apenas o fator do gênero já é extremamente desafiador para outras mulheres empreendedoras e executivas, por uma série de fatores, do preconceito às condições de apoio que são muito escassas.

 

Portal ME - Você integra diferentes redes de empreendedorismo, tais como Endeavor, SEBRAE e outras. De qual maneira esses meios podem contribuir para o desenvolvimento dos negócios?

Leila Velez - Todo empreendedor precisa criar uma rede de networking forte, independente de ser homem ou mulher. Talvez o homem tenha um pouco mais de traquejo e experiência nessa atividade, mas nada impede que a mulher se desenvolva. Especialmente quando você é empreendedor ou possui um cargo de liderança, muitas vezes é um cargo solitário. Poder dividir questões, trocar práticas, discutir determinadas experiências podem ser um atalho. Você não precisa só aprender com os seus erros, você pode aprender com os erros e acertos de uma rede de pessoas que podem te apoiar.

 

Portal ME - Atualmente, o Brasil enfrenta uma crise econômica. Em contrapartida, o segmento de beleza, em especial salões de cabeleireiro, serviços de estética e lojas de cosméticos são negócios que devem se manter em alta em 2015, segundo dados do SEBRAE. Quais são as estratégias usadas pelo Beleza Natural para superar este momento?

Leila Velez - Não é ignorar a crise porque estamos em um País onde é impossível ficar isento aos efeitos da macroeconomia, mas não se deixar engolir. É muito importante olhar e entender que sempre existem oportunidades. A crise é um desafio para que a gente possa tomar uma atitude e repensar a forma de trabalhar mantendo os valores e aquilo que é a essência do negócio. No nosso caso, não abrir mão da qualidade, do atendimento, do respeito ao cliente, mas ao mesmo tempo encontrar maneiras adequadas para este momento. É fundamental contar com os fornecedores, pois eles estão sentindo a crise e não vão querer te perder como cliente, então é o momento dos dois lados serem flexíveis.

Acredito, que têm maneiras de você conseguir driblar este momento de forma que ele se torne um caminho para encontrar oportunidades ocultas. Às vezes, é um novo processo, um novo produto, um novo canal de vendas. No nosso caso, lançamos recentemente um canal de vendas exclusivas dos produtos, os quiosques, que têm sido um grande sucesso. Não foi algo motivado apenas pela crise, mas foi um acelerador, um atalho para que nós tentássemos este canal. É importante perceber que depois que a crise passar esses ganhos não serão perdidos.

 

 

Portal ME - A discussão em relação a Lei de Cotas para Mulheres nas Empresas tem crescido dentro e fora do corporativismo. Em sua opinião, qual a importância das cotas para inserir as mulheres nas diretorias das pequenas, médias e grandes empresas?

Leila Velez - Existe hoje uma disparidade muito grande. Quando você olha para as estatísticas, o número de mulheres que entram, por exemplo, no nível superior é quase meio a meio (50% homens e 50% mulheres), com variações muito pequenas. Quando elas passam essa fase, e entram na hierarquia das empresas, isso afunila cada vez mais. Nos conselhos administrativos das empresas, apenas 4% são mulheres, não são herdeiras, se contar com as herdeiras esse número sobe para 7%. Ainda falta muito para ter igualdade de gêneros no Brasil e no mundo.

Não acredito unicamente que as cotas sejam a forma para combater esse problema. Existem outras questões, por exemplo, a situação da mulher, que é extremamente delicada quando se torna mãe. Estrutura para você conciliar a maternidade e a carreira é muito difícil e diferente do homem, ele não tem interrupção. Muitas executivas precisam optar e quando voltam da licença maternidade, retornam com uma defasagem e com a necessidade de recuperar a credibilidade, isso é um hiato na carreira.

 

Portal ME - Para finalizar, como as mulheres devem agir para se manter em cargos de destaque e adquirir mais respeito como líderes no mundo corporativo?

Leila Velez - Isso independe de gênero. Tanto homens como mulheres se querem destaque, precisam fazer acima da média, acima do esperado. O mundo executivo é extremamente competitivo, as necessidades deste universo se modificam a todo o momento e, por isso, as pessoas não podem acreditar que ter algum nível de formação e conhecimento é o suficiente para os desafios.

Por essas razões é preciso se reciclar, buscar informações, ter um networking forte, não procurar as pessoas somente quando estiver em um momento de necessidade e, sim para manter uma relação próxima e verdadeira. Além disso, é preciso ter humildade em aprender e não somente com as pessoas que estão acima, mas com todos que estão a sua volta. Não existe um segredo, existe um processo contínuo de aprimoramento.

 
 

Por Carla Caroline