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Luiza Helena Trajano participa do 1º FÓRUM DE MULHERES LÍDERES

Segundo a executiva, descentralização de poder e simplicidade na gestão de negócios e pessoas são diferenciais da liderança feminina



 
Personalidade reconhecida no mundo dos negócios e, principalmente, no mercado varejista, Luiza Helena Trajano palestrou para 25 empresárias brasileiras durante o 1º FÓRUM DE MULHERES LÍDERES que aconteceu entre 17 e 20 de julho, em St. Barth e Anguilla, no Caribe, promovido pelo LIDE - Grupo de Líderes Empresariais e LIDE MULHER. Para a empresária, apesar do crescimento da presença feminina no mercado de trabalho, é preciso que haja uma maior participação das mulheres nos conselhos administrativos das empresas.
 
Ela, que recentemente esteve reunida com a presidente Dilma Rousseff para apresentar a proposta de criação de cotas às mulheres nos conselhos administrativos das empresas, fez uma exposição no Fórum sobre Mulheres Líderes: Humanizando relações e multiplicando resultados. Para a empresária, alguns diferenciais femininos justificam a necessidade da força delas no comando das empresas, tais como: descentralização do poder, simplicidade na gestão de negócios e pessoas, visão global, capazes de fazer várias coisas ao mesmo tempo, espírito de "servir" e criação de vínculos.   
 
O magazine Luiza eleito como "a melhor empresa para a mulher trabalhar" estimula suas colaboradoras a prosseguir em seus planos de carreira, auxiliando as que desejam se tornar gerentes e as que sonham com a maternidade. Os benefícios são aconselhamento psicossocial, emprego aos esposos ou filhos das gerentes em outras filiais e o cheque-mãe - auxílio de R$ 400,00 a R$ 600,00 mensais às colaboradoras com filhos de até 10 anos, o que reduziu em até 80% as saídas das mães que não tinham com quem deixar seus filhos menores. "As mulheres possuem intuição, sensibilidade, espiritualidade, emoção e são mais interativas, flexíveis, construtivas e educativas", afirmou Luiza. "O papel da mulher nas empresas é importante pela sua capacidade agregadora por natureza", complementou.
 
Para Luiza, o foco de todos os funcionários deve ser inovação e atendimento. Todas as ações da empresa têm o objetivo de servir a ponta, o cliente. "A prestação de serviços é um diferencial, pois qualidade de produtos é obrigação das empresas, deve ser vista como commodity, para que o gestor consiga pensar adiante na relação com os clientes". 
 
Para a empresária, uma prática muito comum entre os homens é "o que eu vou ganhar nesta negociação". Ela acredita que, quando se pensa realmente na relação ganha-ganha, em que os clientes, fornecedores, funcionários, enfim, toda a cadeia se beneficia, as negociações são feitas de forma mais completa, criativa, e com melhores resultados.
 
Ela apresentou a mudança de paradigma de gestão, de mecânica, para orgânica. No comando mecânico, um manda e outros obedecem, a hierarquia é rígida e não ter uma informação é algo inaceitável. Os homens costumam usar esse tipo de liderança. "O jeito masculino não está em evidência, não é o que o mercado está buscando. As mulheres devem tomar cuidado para não se tornarem masculinas, não repetirem o modelo que eles adotam", defende Luiza.
 
A gestão orgânica, no entanto, estimula diálogo, o conflito produtivo, cria empresa sem fronteiras, lidera pelo exemplo, é simples e acessível e sabe lidar com pessoas. Independente do gênero, a maneira de administrar as empresas está mudando. Para ela, o perfil das mulheres se adéqua melhor a este tipo de liderança. "Os homens foram educados para o poder, de uma forma sofisticada. Eles não podiam ser simples, e a simplicidade é cada vez mais valorizada no mercado", acredita. 
 
"Muitos líderes deixam de ser o que são para ser aquilo que a empresa é. Desta forma, ao perder o emprego, ou se aposentar, esses executivos não são mais nada. Perdem a essência. Devemos tomar cuidado para que isso não aconteça e sermos nós mesmos, mesmo que isso custe o emprego", afirmou a empresária. Outra recomendação que a empreendedora deu às empresárias foi quanto ao papel do gestor. "O líder leva as pessoas mais longe do que elas acham que podem ir. Sou uma especialista em tirar das pessoas aquilo que elas têm de melhor. Só que, para identificar isso é preciso observar, estar perto, e o liderado precisa querer".
 
A empresária, conhecida pelo otimismo, e por defender o estilo "copo cheio", diz que sofre muitas críticas por isso, sobretudo quando a economia não vai bem, e que a melhor maneira de superar críticas destrutivas é a simplicidade e não levar para o lado pessoal. "Peço, diariamente, três coisas: sabedoria, humildade e justiça. Sem isso, não sou nada", declarou.
 
Luiza falou de suas origens e elogiou a inteligência emocional da mãe, que faleceu muito cedo, mas estimulou a independência dela, e deu uma assinatura de jornal a ela, aos 13 anos. Outra mulher importante na carreira dela foi a tia, Luiza, fundadora do Magazine Luiza, que hoje tem 87 anos. Para a empresária, a tia, por outro lado, não tem a mesma inteligência emocional, mas é ousada e empreendedora.
 
Uma sugestão dela é aceitar que a mulher não vai acertar sempre e será muito cobrada. No entanto, não existe receita para isso. Deve-se identificar os erros e buscar o melhor. Mesmo no auge da carreira, dona dos principais prêmios de gestão, Luiza diz que recebe críticas e cobranças dos filhos até hoje.
 
Durante sua palestra, Luiza mostrou sobre os benefícios existentes às trabalhadoras, metade do quadro do Magazine Luiza, e clientes durante o mês de março, quando é comemorado o Dia Internacional da Mulher. Para as funcionárias, existem tratamentos estéticos como cabeleireiro, maquiagem, massagem, manicure, limpeza de pele; já para as clientes, os presentes são em forma de descontos e concursos culturais no site da empresa. 
 
Todos esses fatores somados resultam no case de sucesso que se tornou o Magazine Luiza e colocou sua presidente na lista das 10 mulheres mais poderosas do País. Atualmente são 744 lojas, em 16 estados, com 8 centros de distribuição, 24 mil funcionários e 36 milhões de clientes. Trabalhando em conjunto, foi gerado um faturamento próximo a R$ 10 bilhões em 2013. No primeiro trimestre de 2014, com o mesmo número de lojas, a empresa cresceu 23%. Com um investimento de R$180 milhões, a empresa patrocinou a Copa do Mundo. 
 
Ela aponta os pilares estratégicos para o Magazine Luiza: pessoas, multicanalidade, financeiro e cliente. "Começamos a falar de pessoas quando ninguém falava. Nossa primeira loja virtual foi criada em 1992. Nunca deixamos de lado essa característica, de humanizar as relações. Todas as nossas campanhas são apresentadas primeiro aos funcionários. Meu maior medo é perder esse DNA, que faço questão de manter", afirmou Luiza Helena Trajano.
 
O SAC - Serviço de Atendimento ao Cliente do Magazine Luiza, é liderado diretamente pela presidente, que criou um canal chamado "disque-denúncia", em que os empresários podem enviar quaisquer descontentamentos, mas precisa se identificar, com a garantia sigilo das áreas de Recursos Humanos e Presidência.
 
A Lu, personagem virtual do Magazine Luiza, foi pensada para aumentar as relações nas compras virtuais do Magazine Luiza. Luiza Helena apresentou cases em que os clientes interagem, por telefone, com a Lu, elogiam e ficam felizes de receber esse contato direto, ainda que por meio de um personagem virtual.
 
Para atingir os funcionários, o Magazine Luiza explora canais de comunicação: TV Magazine Luiza, que, ás quintas-feiras, ao vivo, exibe programas com as principais mensagens da empresa, a rádio Luiza, exclusiva da empresa, assim como canal direto, via e-mail, com a presidente.
 
Educação é outra prioridade de Luiza. Há 15 anos ela passou a incentivar o estudo dos funcionários. Hoje, ela concede 2.000 bolsas ao ano e estuda, em parceria com a FGV - Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, a criação de um curso de pós-graduação para os funcionários da rede.
 
Luiza Helena Trajano encerrou a apresentação compartilhando uma estratégia "quando você quer 100, trace 120. Assim, a gente chega aos 100, 105 tranquilamente". Outra lição apresentada, que Luiza aprendeu com Chieko Aoki, presidente dos hotéis Blue Tree "nós não temos meta, temos missão. Dessa forma, humanizamos as tarefas e encontramos melhores resultados. Descubra sua missão e lute por ela". 
  
Mulheres Líderes - O LIDE- Grupo de Líderes Empresariais realiza o evento MULHERES LIDERES para reunir um time seleto de 20 empresárias que se destacam no mercado de trabalho em diferentes áreas de atuação - para compartilhar lições de liderança, valores, desafios e oportunidades para as mulheres. Fundado em junho de 2003, o LIDE - Grupo de Líderes Empresariais é uma organização de caráter privado, que reúne empresários em nove países e quatro continentes. Atualmente tem 1.620 empresas filiadas (com as unidades nacionais e internacionais), que representam 52% do PIB privado brasileiro.

LIDE- Grupo de Líderes Empresariais