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Marcas-desejo e fast fashion: parcerias de sucesso

Saiba como essa relação cada vez mais estreita tem encantado o público


O apelo democrático da moda mostra que cada vez mais ela é para todos. Um drible às reproduções é o fenômeno das parcerias firmadas entre marcas de luxo e estilistas conceituados com as redes de fast fashion. O Brasil entrou nessa onda e lançou coleções com nomes nacionais e internacionais garantindo produtos que, muitas vezes, pecam pela qualidade ou pelo preço que embora acessível, não é o mesmo encontrado em boa parte dos produtos oferecidos em suas araras.

Com ares modernos, o tal fenômeno surgiu ainda na década de 1960, com as primeiras coleções de prêt-à-porter, uma delas proposta por Pierre Cardin para a francesa Printemps. A sueca H&M trouxe o conceito de volta em 2004, quando convidou Karl Lagerfeld, estilista da Chanel, para uma parceria de sucesso que rendeu outras muitas com Jimmy Choo, Lanvin, Roberto Cavalli, Stella McCartney, Versace entre outras.

O Brasil seguiu a tendência de mercado e trouxe para as araras das fast fashion do país uma gama de coleções de estilistas e personalidades da moda. A Riachuelo já firmou parcerias com os brasileiros Fause Haten, Cris Barros e até com um time de peso intitulado Fashion Five, encabeçado pela cantora Claudia Leitte, pelos apresentadores Sabrina Sato e Matheus Mazzafera, pela modelo Fernanda Motta, pelas blogueiras Thássia Naves e Camila Coutinho, passando pelos estilistas Dudu Bertolini, Helô Rocha, Adriana Degreas, Raphael Falci e Robert Forest. Porém, um marco das parcerias foi a coleção proposta por Oskar Mersavaht, da Osklen, cheia de bossa, sem perder no design e na qualidade e, como não bastasse, com preços bastante convidativos. Era como levar para casa uma peça Osklen, pela metade do preço.

Na mesma pegada, a C&A já assinou com grandes nomes da moda e deve continuar. Coleções de Stella McCartney e Roberto Cavalli já foram comercializadas em lojas selecionadas. Embora acessíveis, se comparado aos preços mantidos pelas maisons internacionais, ainda se mantiveram distantes de seu público-alvo. O brasileiro Francisco Costa, da Calvin Klein, foi uma boa surpresa por ofertar itens de qualidade, bom corte e design by CK por um preço que pode ser levado a sério e colocado na sacola de compras.

Ainda pela C&A vale o destaque das coleções produzidas por estilistas brasileiros responsáveis por burburinhos nos corredores das lojas Brasil afora. Patrícia Bonaldi fez releituras de modelos já lançados e que cabiam no bolso das brasileiras, além de J. Chermann, Lenny, MOB, Santa Lolla e até de Gisele Bündchen. Tendências lançadas de forma acessível, sem dúvida.

A estratégia é válida, pois o co-branding, com a associação de duas marcas na criação de um produto, agrega duplo valor. Para a marca de luxo, estar presente em um ambiente fast fashion garante na divulgação e na aproximação com o público. Por outro lado, para as redes de departamentos, ter coleções dessas marcas é capaz de posicioná-las um nível acima do mercado. Porém, ambas perdem quando não conseguem a equação do sucesso: manter a qualidade e o preço acessível. O público sempre ganhará quando o resultado for positivo, com tendências fresquinhas a cada meia hora ou até a coleção se esgotar. 

Isabela Mattiolli

Jornalista, especializada em moda, beauté e lifestyle, autora do blog A par de tudo www.apardetudo.com