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O que eu fiz com a minha carreira?

Em vez de sempre achar que a grama do vizinho é mais verde, que na outra empresa existe mais oportunidade, por que não procurar pelas oportunidades que estão dentro da empresa atual?


 

 

 “Olha o que eu fiz com a minha carreira!”, ela disse apontando para o currículo que estava entregando para mim. Ela tinha acabado de entrar em minha sala para uma sessão de aconselhamento de carreira e essa foi a primeira coisa que falou. Em sua voz, um tom forte que misturava tristeza e indignação consigo mesma. Enquanto eu abria a pasta e passava rapidamente meus olhos pelo documento, ela contou sua história:

Sou estilista e sempre gostei de novos desafios. Eu estava em uma marca, terminava o desenvolvimento de uma coleção, via que ela era um sucesso em vendas, aí acontecia de alguma amiga que estava em outra marca me chamar para desenvolver um novo trabalho lá e eu ia. Achava isso legal! Todas as marcas que tenho em meu currículo são as que os estilistas sonham em trabalhar. Passei por 12 empresas em nove anos de carreira. Agora, de repente, me vejo com 35 anos, dez de profissão, e não consigo mais emprego em nenhum lugar. Foi muita ingenuidade minha...”

Ela só entendeu o que estava acontecendo com sua carreira quando foi a uma entrevista de emprego e a recrutadora disse que era difícil contratá-la, pois tinha receio de que ela fosse abandonar a empresa de uma hora para a outra deixando todos na mão, como já tinha feito no passado nas outras empresas. Foi nesse momento que ela percebeu que não estava traçando uma carreira de estilista de verdade. Estava apenas pulando de galho em galho, com escolhas imediatistas. A imagem que construiu com esse currículo de muitas experiências curtas era a de uma pessoa inconstante na qual não valia a pena a empresa investir.

Esse é um problema comum hoje em dia. Muitos profissionais jovens pensam: “Eu fico na empresa enquanto for bom para mim; se não estiver gostando ou se surgir algo melhor, eu saio e vou para outra”. Mas o que significa exatamente “enquanto for bom para mim”?

Sabemos que hoje em dia é muito difícil encontrar alguém que fique 15 ou 20 anos dentro da mesma empresa. Nem é isso o que o mercado procura. Mas desenvolver uma ou duas coleções isoladas e sair não é suficiente para mostrar a capacidade e a qualidade de um estilista. Somente atuando no desenvolvimento de diversas coleções – ao longo de no mínimo três anos – é que o estilista mostra que compreende efetivamente o DNA de uma marca e seu público-alvo, extraindo das pesquisas de tendências aquilo que realmente funciona e usando sua criatividade e tino comercial para se reinventar positivamente a cada coleção, mantendo uma unidade estilística.

Problemas sempre existem. Novos desafios também. Tudo depende de como os enxergamos e como os enfrentamos. Se, ao primeiro problema, a opção é mudar de empresa em vez de tentar solucioná-lo, dificilmente o profissional vai conseguir construir uma carreira de sucesso.

Em vez de sempre achar que a grama do vizinho é mais verde, que na outra empresa existe mais oportunidade, por que não procurar pelas oportunidades que estão dentro da empresa atual? Inovar, reinventar-se, mudar a maneira de se expor e de se relacionar buscando aprimoramento nas relações profissionais são a melhor forma de construir uma carreira sólida. E você? O que está fazendo com a sua carreira?

Angela Valiera

Angela Valiera é Coach pela ICC (International Coaching Community) e Career Counselor membro da ACA (American Counseling Association). www.angelavaliera.com.br