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Orégano ajuda hipertensos a consumirem menos sal

Os testes foram aplicados em idosos e jovens hipertensos e normotensos que degustaram pães com três teores de sal


Consumo de sal no Brasil chega a 12 g/dia; a recomendação é de 5 g/dia

Pessoas que sofrem de hipertensão arterial apresentam maior avidez pelo consumo de alimentos com mais sal, quando comparados aos normotensos, mostra estudo da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP. Os testes foram aplicados em idosos e jovens hipertensos e normotensos que degustaram pães com três teores de sal. A boa notícia é que a adição de orégano à massa modificou essa preferência, levando os participantes a preferirem os pães menos salgados. Os dados foram comprovados pela nutricionista Patrícia Teixeira Meirelles Villela em sua tese de doutorado.

“Nós conseguimos comprovar cientificamente uma recomendação culinária comum que ouvimos no dia a dia: a de substituir o sal por temperos como orégano ou ervas finas”, comenta a nutricionista. A constatação pode ajudar os hipertensos a diminuírem a quantidade de sal que adicionam na comida. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a ingestão diária máxima de até 5 gramas de sal. No Brasil, o consumo diário pode chegar a 12 gramas.

Os testes foram realizados em 4 grupos, compostos, cada um, por cerca de 30 pessoas (homens e mulheres): idosos hipertensos, idosos normotensos, jovens hipertensos e jovens normotensos. Os participantes tiveram peso e altura mensurados (para cálculo do índice de massa corporal (IMC)), além da aferição de pressão arterial e coleta de urina 24 horas (para averiguar a excreção de sódio e potássio).

Os participantes passaram por um teste de análise sensorial onde degustaram 3 tipos de pão francês. Esses pães foram produzidos sob a supervisão de Patrícia em uma padaria da cidade de Ribeirão Preto que fornece pães para o Hospital das Clínicas da FMRP e que aceitou participar da pesquisa. Para o segundo experimento, os participantes também fizeram um novo teste de degustação dos pães com os 3 teores de sal mas, desta vez, a pesquisadora adicionou orégano durante a fabricação.

A maioria dos participantes hipertensos passou a preferir o pão com orégano com teor de sal igual ao pão de padaria (1,8%). O grupo de normotensos, que no primeiro experimento escolheram o pão da padaria, passaram, no segundo experimento, a gostar mais do pão de orégano com menos sal (1,2%).

A ideia inicial da pesquisadora era utilizar vários tipos de temperos, como alho, cebola, alecrim e coentro moído, mas os padeiros a convenceram a utilizar apenas o orégano. “Trata-se de um tempero mais comum e a aceitação seria maior e não interferiria no crescimento e consistência do pão, o que poderia influenciar na escolha dos participantes.”

Agência USP