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Paixão empreendedora pelo café

Gelma Franco venceu o desafio de incluir na rotina do paulistano o hábito de tomar um bom café


 
 

Publicitária por formação, Gelma Franco se tornou especialista em cafés por pura paixão. Há 11 anos a frente dos negócios do IL Barista Cafés Especiais, a empresária também é considerada precursora de uma categoria até então inexistente, a de boutique de café gourmet. Gelma gosta de lembrar que no começo era tudo uma grande novidade. “Quando inaugurei minha primeira loja, em 2003, a palavra barista não constava nem no dicionário da língua portuguesa. Foi um grande desafio incutir o hábito de tomar um bom café na rotina do paulistano e ser uma das precursoras desse novo conceito me enche de orgulho e satisfação”, conta a empresária

Hoje, ela mantém quatro lojas espalhadas por São Paulo (SP) onde os fãs da marca podem saborear 10 cafés diferentes nas versões espresso, filtrado ou prensa italiana, e ainda criar a sua própria versão no aplicativo Blend Personalizado do IL Barista. “O que fiz foi despertar a demanda por café de qualidade de forma criativa e inovadora”. Assim, Gelma impulsionou também a entrada de mais profissionais na área do café, dando treinamentos e ajudando a criar campeonatos de barista e cafés. Esse pioneirismo foi reconhecido nacionalmente, em 2007, quando Gelma Franco foi indicada ao prêmio Mulher Empreendedora, do Sebrae. 

No primeiro semestre de 2014, duas unidades da marca foram inauguradas em Shopping Centers (Shopping Morumbi e Shopping Vila Olímpia), com investimentos de R$1.200.000. Gelma também é gestora da cafeteria que funciona dentro do Museu do Café, em Santos, litoral paulista, um ícone no mercado mundial. A empresária ainda ministra cursos e palestras desvendando as artes e os mistérios de sua bebida preferida. Confira a entrevista com ela: 

Como você se tornou especialista em cafés? Fez cursos? Quais?

Aprendi lendo e estudando  muito.  Perdi as  contas  de  quantas viagens fiz até fazendas  produtoras. Convivo  e preservo amizade e parceria com vários pequenos produtores de cafés. Fiz curso  de torra na Itália e vários outros cursos de degustação de cafés em congressos e workshops das melhores associações de cafés especiais ao redor  do mundo.

Quando você decidiu se tornar empreendedora?

Acho que  desde  o dia  que estava numa sala  de  aula, no ensino médio,  e o professor  pediu  para  eu resolver um problema  de matemática  e  eu resolvi  sem fazer contas, somente  com a  lógica  do raciocínio. Ganhei um zero, é claro, porque fugi dos padrões, mas na ocasião, o professor quis saber porque não respondi de forma  usual e respondi para ele: "Se  a loja que estava  enunciada  na questão é minha, eu resolvo o problema do jeito que eu achar melhor e mais eficiente. Tem coisas que não cabem na lógica matemática.     

Quais são as principais dificuldades enfrentadas por uma mulher empreendedora e como você procura solucioná-las? 

Ser mulher já era uma dificuldade enorme  há 22 anos, quando abri minha primeira  empresa  de  Moda Infanto Juvenil. O preconceito e as  barreiras eram enormes.  Hoje, já estou mais calejada e aprendi muito a lidar com tudo. Tenho uma resiliência  enorme. Ainda mais sendo mulher, mãe, esposa e  empresária num país sem claras regras fiscais e injustas taxas e impostos para os  pequenos e médios empreendedores.

Quais aprendizados o empreendedorismo te proporcionou? 

Que não existem problemas sem soluçao. Pode não ser a solução que você gostaria que fosse. Mas, existe jeito para tudo. Passei a ser mais ponderada, me colocar no lugar do ‘’outro’ , ser mais  flexível e observadora e, principalmente,  a perceber a grande responsabilidade que é ser empregador neste país. 

Na sua opinião, quais características não podem faltar em uma empreendedora?

Feeling  para o ‘’novo’’ , garra, persistência e humildade. Além de manter o desejo de aprender sempre. Ninguém é dono da verdade e ninguém sabe tudo e sobre todos ao mesmo tempo.

 

   

Da Redação