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Sob o comando delas

Soluções práticas e criativas são pontos infalíveis na liderança de equipes formadas, em sua maioria, por homens


 

 

Dirigir uma equipe formada totalmente ou em sua maioria por homens não é tarefa fácil. Mas, não é algo impossível. Com análise e planejamento, as mulheres podem conquistar a confiança e o respeito deles.

Maria do Carmo Marini, engenheira com especialização em comunicação corporativa e coach com pós-graduação em Consultoria de Carreira pela SP, pontua os principais desafios encontrados pelo sexo feminino ao assumir a gestão de um grupo formado por rapazes.

“Mulheres liderando homens precisam mostrar constantemente que são qualificadas, competentes. Como são vistas como menos capazes de solucionar problemas, precisam estar atentas a essa questão, buscando soluções criativas e rápidas. Homens preferem ter chefes capazes de delegar e as mulheres tendem a centralizar, especialmente porque ter controle sobre tudo deixa-as mais seguras. Esse é um erro comum, ao lidar com equipes masculinas”, observa.

De acordo com Maria do Carmo Marini, diante dos obstáculos, o líder precisa demonstrar confiança aos seus subordinados e delegar funções, mesmo quando o processo exija certo esforço. Segundo ela, não levar as discussões para a esfera pessoal é essencial para a qualidade do trabalho. “Lembre-se sempre que divergências de pontos de vista no trabalho devem ser tratadas como parte dele”, recomenda ao pontuar que: “por outro lado, pontuar qualidades femininas, como capacidade de consultar e reconhecer, apoiar e ajudar no crescimento individual dos subordinados pode mostrar como uma mulher pode ser interessante para a equipe”, frisa.

Comunicação

A maioria dos homens foi criada para gerir e ofertar soluções, tanto em casa quanto no trabalho. Assim, alguns são “rudes” quando são gerenciados por mulheres. Por isso, a gestora precisa ter uma boa comunicação com o grupo.

“Não dá para esquecer que muitos homens ainda se sentem fragilizados por mulheres intelectualmente mais preparadas, da mesma forma que por mulheres em posições mais altas. Essa insegurança muitas vezes é traduzida em rudeza. A melhor maneira de diminuir essas reações é buscar a confiança da equipe, mostrando como é capaz de focar em resultado, não se deixar levar por instabilidades emocionais, ser positiva, firme e íntegra, e ainda demonstrar uma boa visão de futuro”, orienta Maria do Carmo Marini.

Para a engenheira, a melhor maneira de se comunicar com a equipe é mostrar que a prática é coerente com o discurso. Segundo ela, não adianta falar e não cumprir/executar. “É importante ouvir e respeitar sugestões, ter clareza sobre o que passa de tarefas e cobrar na hora certa, não pedir a mesma coisa para mais de uma pessoa, enfim, mostrar-se organizada e competente, sem desrespeitar as competências dos subordinados”, pontua.

Vantagens

Nem somente de espinhos é formado o caminho da gestora de sucesso. Trabalhar com o sexo oposto, também, traz benefícios.

“A vantagem de liderar homens está no fato de existir menos conflitos pessoais para serem administrados, e não existir tantos ‘não ditos’ já que eles costumam ser mais diretos. A maior estabilidade emocional da equipe é um facilitador. No geral, a comunicação é mais clara, mas a líder tem que estar aberta a sugestões, pois homens tendem a serem solucionadores de problemas”, diz. De acordo com a especialista, a demonstração da capacidade da líder em levar retorno à companhia, pode motivar a equipe.

Fatores como idade, interesses pessoais e profissionais, além de planejamento de carreira, devem ser considerados quando a liderança é exercida em relação ao sexo oposto. Conseguir conquistar a confiança das novas gerações, que são mais flexíveis com a liderança é benéfico para o trabalho.

“Planejamento de carreira passa a ser um importante fator de motivação, pois há muito tempo esse tema não é mais de responsabilidade das empresas. E as mulheres em papel de liderança têm facilidade para exercerem a tarefa de coachs ou mentores. Tudo isso cria uma cumplicidade entre o líder e a equipe que pode ser o fator principal de sucesso”, conclui.

 

Por Carla Caroline