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Sustentabilidade agora é questão econômica

Formação de líderes e gestores em economia sustentável é essencial para o manejo correto de recursos naturais cada vez mais escassos


 

Qual é o custo que a exaustão dos recursos hídricos no estado de São Paulo, o mais populoso e rico do país, traz para as famílias, para as empresas e para o setor público? Essa conta ainda não foi totalmente calculada pelas lideranças que se ocupam dos setores produtivos nacionais. "A atual falta de água é um dos efeitos tangíveis de pontos de vista acomodados. Esperamos simplesmente que as respostas caiam do céu", afirma Ana Paula Arbache, professora dos MBAs e Pós-MBAs da Fundação Getúlio Vargas e da Business School São Paulo, nas áreas de Sustentabilidade Estratégica Empresarial, Ética nas Negociações e Ética e Responsabilidade Social nas Empresas. 

Isto acontece porque o desenvolvimento sustentável ainda é visto pelos principais atores econômicos como um tema restrito às questões de preservação do meio ambiente, ou seja, à redução da produção e do consumo. Para Arbache, a crise hídrica comprova que tal pensamento é falso. "Hoje, a sustentabilidade é o centro nevrálgico das tomadas de decisões globais e aponta para a importância de se combinar esforços entre o poder público, as empresas e a sociedade civil em um cenário de escassez de recursos e alta de preços", avalia. 

Educação para o Desenvolvimento Sustentável

Em visita à Suécia e à Alemanha, a professora da FGV pesquisou como o investimento massivo nesta mudança de percepção, ao longo dos anos, está retornando agora como vantagem competitiva. "A Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) é o grande diferencial estratégico e de performance empresarial nesses países", revela.

Reorientar os currículos escolares é um dos principais requisitos. Na Suécia, por exemplo, esta formação é oferecida desde o ensino fundamental. "Uma vez constituída uma educação formal, cabe à educação corporativa dar um passo à frente", explica Arbache. "Ao visitar empresas, foi possível encontrar os resultados tangíveis deste investimento: produtos, processos e serviços inovadores, conectados a um novo consumidor e a uma nova agenda econômica global e que ainda carregam valores e metas comprometidos com a qualidade de vida e com um legado positivo para as gerações futuras", descreve.

Sustentabilidade exige formação urgente de novas lideranças

Neste momento eleitoral no Brasil, há uma necessidade urgente de inserir a EDS no debate nacional como novo paradigma de desenvolvimento econômico e como vetor da formação e da atuação de gestores e líderes dos setores público e privado. Para a professora da FGV, "a ausência de profissionais qualificados impacta diretamente na criação de políticas públicas, produtos e serviços inovadores, mais adequados às demandas sociais atuais, e ajuda a perpetuar o estado de coisas".

Da Redação