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Tem mulher na pista: Determinação feminina invade as pistas do SuperBike Brasil!

Piloto da Copa Honda CBR 500R, Marcia Reis até tentou ser uma mãe como qualquer outra, mas a paixão pelas duas rodas falou mais alto


 

 

 

O maior campeonato de motovelcidade das Américas, o SuperBike Brasil está preparando a quarta etapa da temporada para o Autódromo de Interlagos, em São Paulo, nos dias 29 e 30 de agosto. A expectativa é de casa cheia! Quem estará por lá é a piloto Marcia Reis ( #97), da Moretti Racing Team, que é natural de Porto Alegre (RS). Ela já escreveu dois livros, foi gerente comercial de boutique e é mãe de uma universitária, mas foi na motovelocidade que encontrou seus momentos de lazer e diversão. Há dois anos, ela mora em Araraquara (SP).

Comecei a gostar de moto com 13 anos, fazia ‘peguinhas’ de Garelli na rua com os moleques, depois comecei a pegar motos maiores, fiz trilha por um tempo e então peguei uma Ninja 300 e foi aí que comecei a gostar um pouco mais de motos esportivas”, conta a piloto.

A vida dela mudou, inclusive de cidade, pois ela queria ficar mais perto de locais em que pudesse treinar melhor, já que a “brincadeira” ficou mais séria. Em 2012, ao ser convidada para participar de um grid formado somente por mulheres, em Guaporé (RS), Marcia pegou gosto pela coisa, mas logo depois precisou vender a moto, o que limitou sua participação em duas provas. Então, surgiu a oportunidade de participar do SuperBike Brasil, onde está até hoje.

Representante feminina em um universo visto por muitos como masculino, ela conta como é ser mulher e estar na pista. “Está sendo bem legal participar do SuperBike Brasil, temos poucas mulheres na motovelocidade e esse é o único campeonato que nós temos essa presença. Os outros pilotos têm um carinho especial pela gente, todo mundo se respeita bastante e na equipe Moretti Racing Team sou a única mulher, mas é legal sentir o quanto o público admira nossa coragem de estar ali dentro da pista. Comparado as minhas primeiras corridas onde havia apenas mulheres no grid isso é um desafio bastante grande, porém tem sido muito legal correr junto com os homens, também”, reflete.

Se adaptar a moto é sua maior dificuldade. "Esta que estou correndo é a primeira totalmente preparada para pista. Antes, andava de brincadeira com as meninas, usávamos modelos de rua, tirávamos apenas os espelhos e saíamos para acelerar, só agora estou conseguindo me adaptar a nova máquina.O ano passado foi uma verdadeira escola, um aprendizado muito intenso e de grande valia para mim, tanto que esse ano estou melhorando meus tempos progressivamente, sentindo mais segurança na moto e na pista , sentindo a evolução que conquisto a cada volta”, diz.

Marcia se esforça junto da nova equipe para nos próximos meses começar a trazer mais mulheres para seu lado e, quem sabe, juntar o suficiente para montar um grid exclusivo delas — mesmo que com motos de rua — mostrando que andar de moto na pista não é nenhum bicho de sete cabeças.

Depois que comecei no SuperBike já perdi quase 16kg, isso controlando a alimentação e fazendo atividade física, pois quanto mais levinha melhor né (risos)?!”, observa. Hoje ela dedica sua vida às corridas. Não tem mais o emprego e se mantém com patrocínios. "Assim, consigo não trabalhar e me dedicar somente ao esporte e a equipe, pois já estava difícil conciliar o trabalho e os treinos com meu cargo, as responsabilidades e horários”, relata.

Questionada sobre sua relação com a família, uma vez que se interessa por um esporte pouco usual para a maioria das mulheres, ela diz: “Não só a família, mas todos que são próximos a mim dizem que isso é loucura. Minha filha está na faculdade e infelizmente não consegue me acompanhar, mas, mesmo assim, estar aqui (na pista) é o que eu quero”, conclui.

Da Redação