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TRAJE: Coerência e equilíbrio

Sem deixar de entender que o foco é o desempenho profissional, a roupa usada no ambiente de trabalho precisa estar em harmonia com o local e a atividade exercida


 

 

Quem vai à praia, em uma tarde de sol, leva consigo biquíni ou sunga. Quem é convidado para uma festa Black Tie, separa o smoking ou o vestido longo. O padre, quando reza a missa, veste sua batina. O índio, quando se prepara para um ritual, pinta o corpo. Pois bem, cada ocasião pede um comportamento compatível para com ela e a maneira como nos vestimos é uma das formas de representarmos tal comportamento. No ambiente de trabalho não é diferente, na medida em que nossas roupas devem se adequar ao ofício a ser realizado.

Ocorre que a questão da vestimenta no ambiente de trabalho, que até então parecia ser simples, recentemente ganhou repercussão nacional quando, na Câmara dos Deputados, em Brasília, foram colocadas em pauta algumas regras que, resumidamente, restringem o uso de minissaias, decotes, além de proibir calças Jeans em modelagem justa, rasgada e de cintura baixa, bem como não permitir o uso de tênis, chinelos e cores cítricas. A intenção é fazer com que homens e mulheres usem ternos e tailleurs de cores sóbrias como preto, azul e cinza

A proposta é de iniciativa da deputada Cristiane Brasil, do PTB/RJ, e a finalidade da mudança é preservar o decoro e o respeito ao Poder Legislativo. Que o decoro deve ser regra basilar em qualquer setor político, isso não precisa ninguém dizer, mas a instituição de um dress code - código de vestimenta - gera suas controvérsias, ainda mais quando provém de um ambiente marcado pelas CPI's.

Polêmicas à parte, a verdade é que seja em uma empresa privada, seja no Legislativo, deve haver um mínimo de cautela quando o assunto é a maneira de vestir-se. No local de trabalho o que deve ficar em evidência é a tarefa executada e a capacidade que o trabalhador tem para gerar bons resultados. Por outro lado, sua liberdade de expressar-se através das roupas também não pode ser tolhida ao extremo, de modo que ele não se consiga identificar-se com o que veste. Porque, sim, a roupa é uma forma de expressão e uma das maneiras que evidenciam nossa personalidade.

As regras de vestimenta, caso existam, devem levar isso em consideração sem, contudo, permitir abusos. Delimitar o comprimento de saias, o tamanho de decotes e o estilo das roupas tem por objetivo fazer com que o funcionário expresse, através da vestimenta, a seriedade e complexidade da função que exerce. Por outro lado, restringir a paleta de cores a serem usadas parece um tanto quanto extremo, pois as cores em nada afrontam o decoro. Até porque não existe um "azul-probidade" nem um "preto-atinge-metas" ou um "cinza-competência".

Um bom dress code deve ter uma única regra: a roupa usada deve comunicar-se de forma equilibrada com o local de trabalho, sem perder de vista que o foco, neste lugar, é o desempenho do funcionário. Nestes casos, a coerência é o estilo certo e o melhor é que ela nunca sai de moda.

Fábia Nunes

Advogada, curiosa da moda e aprendiz da vida