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"W Run - Previna a Endometriose"

Próxima corrida ocorre dia 27 de abril, no RJ


Além da corrida, a Bayer deve oferecer às participantes um grande estande de massagem, e a Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva (SBE) material informativo para esclarecer dúvidas sobre a endometriose. Cólica menstrual intensa, alterações no hábito intestinal (diarreia ou obstipação), dor durante as relações sexuais e dificuldade para engravidar. Esses são alguns dos sintomas da endometriose. As dores causadas pela endometriose são incapacitantes e muitas mulheres não sabem que sofrem com o problema. 

 

Em sua última edição em São Paulo, sete mil corredoras conquistaram as ruas da capital paulista no dia 16 de março, percorrendo de 4 km a 8 km no Jockey Club e arredores. Em sua 13ª edição, a W Run apresentou o tema "Previna a Endometriose", conscientizando a população sobre a importância do conhecimento e identificação da doença.

Embora pouco conhecida, a doença afeta cerca de 176 milhões de mulheres no mundo, sendo seis milhões só no Brasil. Definida pela presença de tecido uterino  (endométrio) fora do útero, como por exemplo na cavidade abdominal e no ovário, a endometriose pode ocorrer já  a partir da primeira menstruação e afeta as mulheres principalmente durante os anos reprodutivos. A patologia  é uma das principais causas de infertilidade.

"Só uma mulher que sofre com a endometriose sabe o tamanho da dor que sente. A cólica causada pela doença é diferente de uma cólica menstrual, pois pode vir acompanhada de ardência nas pernas, dores na coluna lombar, diarreia, vômitos, tonturas e desmaios", afirma Caroline Salazar, que tem endometriose e é autora do blog "A Endometriose e Eu".

Segundo Caroline, a mulher que desenvolve o problema não sofre apenas com a dor, mas com o preconceito por parte de empregadores e a exclusão da sociedade. Adicionalmente, essa mulher tem de lidar ainda com a cobrança que surge por parte dela mesma por não conseguir realizar atividades cotidianas como estudar, trabalhar, sair com os amigos ou manter relações sexuais.

"Em muitos casos, as pessoas não compreendem o problema e se afastam por não conseguir conviver com alguém que reclama o tempo todo de dor ou não consegue sair da cama pelo mesmo motivo. Devido às fortes dores a frequência do sexo diminui, o que a maioria dos homens não entende, achando que é apenas frescura da mulher. A endometriose é uma doença social", enfatiza Caroline.

Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva (SBE) - com apoio da Bayer - com 10 mil mulheres com idade acima de  18 anos, em 10 capitais brasileiras*, mostra que 53% das mulheres nunca ouviram falar em endometriose. Quando são mostradas as estatísticas em cada estado, alguns números são alarmantes. Em Brasília e São Paulo 52% das mulheres disseram que nunca ouviram falar da doença. Já em Porto Alegre o número sobe para 68%; em Belo Horizonte 73% e Manaus 82%.

A pesquisa ainda aponta que apenas 24% das mulheres sabem quais são os principais sintomas da doença. Quando questionadas sobre os tratamentos disponíveis nas redes de saúde públicas e privadas, 82% dizem não conhecer nenhum tratamento.

"Muitas mulheres sofrem com cólicas e dores incapacitantes e na maioria das vezes demoram a procurar tratamento, o que agrava o problema. A maioria não sabe quais são os principais sintomas da doença, nem como são feitos o diagnóstico e o tratamento", explica Dr. Mauricio Abrão, professor associado do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), ex-presidente da Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva (SBE) e presidente do próximo Congresso Mundial de Endometriose.

O especialista ainda explica que, quando não tratada, a doença pode atingir outros órgãos, o que acaba dificultando o tratamento e debilita muito a mulher. O diagnóstico da endometriose é cirúrgico, mas importantes avanços têm ocorrido entre os métodos não invasivos de detecção da doença, como o ultrassom transvaginal.

Além da falta de conhecimento sobre a doença por parte das mulheres, a carência de centros de atendimentos especializados dificulta ainda mais a busca por diagnóstico preciso e tratamento eficaz. Uma pesquisa realizada com 956 médicos, em 10 estados brasileiros**, revelou que embora a maioria os profissionais conheça os principais sintomas (78%) e saiba como identificar a endometriose (82%), 67% dos médicos acreditam que os centros disponíveis para tratamento da doença não são capazes de atender à demanda brasileira e 93% gostariam que houvesse mais centros de tratamento. Quando perguntados quais os maiores desafios para diagnóstico precoce da doença, 49% dos profissionais responderam falta de tratamento específico e dificuldade de acesso aos recursos e exames para diagnóstico preciso da doença.

"Para auxiliar as mulheres que aguardam na fila para o tratamento da endometriose nos hospitais de referência, a Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva (SBE) com apoio da Bayer, realizará neste semestre um mutirão de saúde com exames clínicos e exames de diagnósticos por imagem, visando diminuir a espera dessas mulheres que precisam de tratamento", conclui Dr. Rui Ferriani, presidente da Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva (SBE).

* A pesquisa com 10 mil mulheres foi realizada em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Brasília, Porto Alegre, Belo Horizonte, Fortaleza, Manaus, Curitiba e Salvador.

** A pesquisa com 956 médicos foi realizada em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Brasília, Porto Alegre, Belo Horizonte, Fortaleza, Manaus, Curitiba e Salvador.

Por Fouad Matuck